Vida de Imigrante - Tudo azul? Que nada, tudo amarelo!




Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


Outra vitória do Brasil e os corações se alegram. O que chama atenção no moderno estádio onde a peleja aconteceu foram as "manchas amarelas" enfeitando a platéia. Somos tantos assim? E olha que nem todo brasileiro estava vestido de amarelo! Dominamos não apenas o jogo, mas também a colorida paisagem das arquibancadas.

E olha que os australianos são mais ricos e moram mais perto. Ou não, que não perco tempo em calcular milhas. Mas o que interessa é que demos um belo espetáculo - um time bem coordenado no campo, apoiado por um público educado e entusiasmado, tanto os de dentro como os de fora - os que não conseguiram entrar no estádio. Para esses, desejo mais sorte na próxima rodada.

Mas vamos ter que ouvir muitos Ai meu Deus! antes do último gol e da última cartada. A boa notícia é que Pedro, nosso simbólico torcedor-imigrante, finalmente conseguiu assinar o canal da Globo, e está assistindo aos jogos como queria, ouvindo a verve dos nossos jornalistas, sentindo a alegria do povo nas ruas do Brasil e da Alemanha. Pedro está feliz, sem churrasco, mas com muita fé.

O problema é que... bem, o canal em espanhol é mais rico, e está com uma transmissão de alta fidelidade que a gente vê até lesminha sendo amassada por uma chuteira no gramado. Pedro fica indeciso entre a fidelidade aos seus suados dólares gastos para adquirir o canal global e a imagem muito mais bonita do outro canal.

A solução encontrada foi "ver" o jogo no canal espanhol, e apreciar a beleza da transmissão na mais avançada tecnologia, e "ouvir" nossos narradores na televisão do quarto, trazida às pressas para a sala.

O problema é a Luana, mulher do Pedro, que não quer nem saber, e continua assistindo os jogos na casa do irmão, a traidora, incapaz de dar um apoio na hora da necessidade. Mas Pedro se consola, porque a mulher do Lucas também não está assistindo os jogos em casa. Ela vai assistir na casa do irmão dela, onde diz que a turma é mais animada e o rango é bem melhor.

Enfim, para tudo se tem uma compensação, mesmo que raquítica. E como no futebol como na vida, o importante é o resultado, Pedro continua torcendo, esperançoso, para que a caríssima TV de altíssima fidelidade do cunhado pife, e ele venha assistir os jogos nas suas - do Pedro - televisões.