Ainda faltam quatro meses para a eleição, mas a temporada de compra e venda de votos já está aberta. Com a abertura do mercado, favorecido pela flexibilidade da verticalização, muitos políticos e lideranças já começam a negociar seus apoios. Isto porque boa parte dos políticos, com mandato ou não, sobrevive do apoio de vereadores, sobretudo no interior do Estado.
Aqui vai só um exemplo: um candidato a deputado estadual que também é advogado foi vítima dessa verdadeira bolsa de valores dos votos, onde leva o apoio quem oferece mais dinheiro. Ele defendeu judicialmente vários vereadores na eleição de 2004. Alguns clientes pagaram os honorários do advogado em dinheiro e, outros, com a promessa de apoio para sua candidatura, agora em 2006.
O combinado era o seguinte: o vereador que pudesse pagar a causa, pagava e morria o assunto. Aquele que não pudesse, pagaria agora em 2006, conseguindo votos para o advogado. A quantidade de votos é variada: quanto mais alto o valor da ação, mais votos o vereador teria que conseguir para o advogado-candidato.
Acontece que, na hora de cobrar os apoios, ou melhor, as dívidas, esse advogado foi surpreendido pela súbita disponibilidade de dinheiro de vários de seus antigos clientes. Foi procurado por vários deles, querendo quitar a dívida, pagando os honorários em dinheiro. Inclusive, alguns que segundo ele, não tinham condições financeiras para isso, pois preferiram apoiar outros candidatos.
Isto porque a oferta do adversário era mais atraente. Ou seja, o vereador pôde vender a sua capacidade de conseguir votos por um valor bem maior do que a dívida que tinha com o advogado.
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