Uma ação necessária




Caetano Roque da Silva


Mais do que as atividades profissionais que defendem, são nítidas as diferenças entre a atuação das direções entre dois sindicatos. Como exemplo vamos tomar o dos metalúrgicos e o dos rodoviários, um setor de produção e outro de serviços.

O Sindicato dos Metalúrgicos busca cada vez mais o acerto para um novo modelo sindical, evitando, assim, o poder normativo da Justiça do Trabalho. Para fazer as eleições, que já estão acontecendo, buscaram assessoria especializada. Algumas lideranças vieram do ABC paulista para ajudar a organizar a eleição e vão conseguir mudar cerca de 45% de sua diretoria.

Isto não significa que os antigos dirigentes perderam sua validade, mas é preciso renovar sempre, para que o sindicato possa acompanhar as mudanças ocorridas no chão da fábrica. Precisa acompanhar a modernização.

Enquanto isso, o Sindicato dos Rodoviários conseguiu a façanha de levar a Justiça do Trabalho a fazer uma audiência pública no Quartel de Mauípe, com participação de autoridades, para tentar resolver um de seus problemas internos. E foi orientado a fazer assembléias setoriais para eleger qual sindicato o representaria.

Feitas as assembléias, chegou-se à conclusão de que seria o Sindicato dos Rodoviários do Estado (o de Vitória) o verdadeiro representante da categoria. Se as assembléias foram representativas ou não, não cabe aqui avaliar. Mas as ações não apareceram. Daqui a pouco vão aparecer as greves. E quem vai representar os rodoviários?

E sindicato não existe só para fazer greve. Tem ações sindicais, que têm de ser feitas permanentemente. O presidente (de direito) do Sindicato, Edson Bastos, tem que tomar medidas urgentes para garantir o controle do sindicato, já que o presidente de honra, Carlos Alberto Mazzoni, será candidato a deputado estadual com chance de se eleger.

Se ele se afastar da direção do sindicato, corre o risco de aquelas outras facções que perderam nas assembléias tentarem tomar o controle do sindicato novamente ou a baderna voltar.

O exemplo dos metalúrgicos deverá ser seguido pelas outras categorias. Porque, quando não se encontra o caminho internamente, não é pecado pedir ajuda externa. O que não pode é ficar a mercê do poder normativo da Justiça. A ação sindical é necessária.