As grandes empresas sediadas no Espírito Santo dançam a música de sua conveniência. São elas a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Aracruz Celulose e Samarco Mineração.
Há pouco mais de um ano, a CST foi vendida para a Arcelor. Que agora acaba de fazer uma grande fusão com a Mittal Steel. A mais poderosa do planeta em matéria de siderurgia. Tudo à revelia do Espírito Santo. Como se nós fossemos secundários. Pois o Estado foi totalmente ignorado na transação.
O mais grave não está em vender sem que o Estado tenha a mínima participação. Quer em nível de governo, de forças sindicais e entidades empresariais, dá a transparecer que são tão grandes, que somos uns pigmeus diante deles. Especialmente diante dessa monopolista e ousada Mittal Steel, que acaba de se preparar para invadir o Estado.
Infelizmente, continuamos a nos colocar a mercê dos apetites dos monopólios. Já arcamos com o ônus dos prejuízos sociais e ambientais advindo deles. O exemplo agora da venda da CST nos remete à realidade dessas grandes empresas que instalaram suas indústrias no Espírito Santo.
A Companhia Vale do Rio Doce tem seu porto no Estado, suas usinas de pelotas, corta território capixaba com a sua estrada de ferro, aufere lucros fantásticos por essas atividades, mas o dinheiro que ganha aqui circula fora do Estado. Com a Aracruz Celulose não é diferente. Ocupa as melhores agricultáveis do Estado com os seus eucaliptais, e o dinheiro que faz aqui, lucros também extraordinários, circula em outro estado. A Samarco idem.
Somos quintais dessas empresas. Ficamos com os problemas sociais que elas geram e com a sua poluição. Essa presença incomoda. De alto risco também à economia do Estado, vista de outro prisma pelos nossos governantes. Como se fosse a redenção econômica do Espírito Santo. A deixá-los à vontade, como é o caso da compra agora da CST pela Mittal Steel, é querer deixar o campo livre para que eles continuem a saquear a economia capixaba.
O Espírito Santo não pode se portar como um caracol diante dessa situação. O caracol é célebre pela ausência de cérebro, mas de uma moral ilibada. Porém, não resolve. O que resolve é quando a gente põe limite no intruso e age como um cão de guarda dos interesses dos capixabas.
Somos hoje um das poucas vozes que clamam contra essa situação. Mas vamos continuar a clamar. Somos pequenos, mais temos vozes. Melhor do que ser grande e não usar a voz.
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