Desperdício de tempo e espaço




Caetano Roque da Silva


Enquanto as centrais sindicais, especialmente a CUT, fizeram um 1º de Maio puxando temas de interesse do trabalhador, em lugar adequado, aqui no Estado a CUT foi para a praia de Camburi fazer a sua manifestação para um público completamente diferente do seu. Falou para turistas e a classe média que faz exercício no seu calçadão. Serviu também de palanque para políticos, a exemplo do espaço de que desfrutou o prefeito de Vitória, João Coser, anunciando um pacote de obras na cidade.

Deixamos de discutir reforma sindical, que é necessária à vida do trabalhador, e de ouvir líderes sindicais, como correu em outros estados. Nada contra os políticos, mas a data devia servir de vitrine às necessidades da classe trabalhadora. O momento é para não desperdiçar espaços como esse do 1º de Maio, quando todo trabalhador está ligado nele e a imprensa dá espaço privilegiado.

O movimento sindical perdeu uma data preciosa para tratar da reforma sindical, especialmente quando está prestes a findar-se o governo Lula, embora vá disputar com reais chances a reeleição.

Foi um erro imperdoável dos sindicalistas não terem usado o governo Lula para fazer a sua reforma sindical. Isto terá custo no caso de o Lula não se reeleger. Nenhum outro governo dará a chance que ele deu para se fazer uma reforma sindical. Fernando Henrique Cardoso passou 8 anos e nem pensou, sequer, em discuti-la.

É a velha história da esquerda que não valoriza seus líderes que alçados a cargos públicos. O que vamos assistir agora é ao governo Lula tomando medidas que ele acha necessárias, como acaba de tomar com relação às centrais sindicais poderem fazer também acordos coletivos.

É sinal de que o Lula cansou de esperar os dirigentes sindicais na reforma sindical que propôs. Ontem ele fez um discurso muito bom e espero que seja entendido e tomado como referência. No fundo, ele voltou a insistir com os trabalhadores para a necessidade de se fazer as mudanças necessárias através da reforma sindical.

Que o próximo 1o de Maio não seja o mesmo de agora: anúncio de obras em vez de bandeiras de lutas da classe trabalhadora.