A celeuma em torno da construção de um presídio provisório em novo Horizonte, na Serra, é descabida e despropositada. Não será pelo caminho da retaliação que se resolverá o problema.
É preciso considerar que está em jogo, no caso, a segurança da população serrana, uma das mais atingidas pela violência em todo o País. No Espírito Santo, então, chega a ser chocante o índice da criminalidade registrado na Serra em comparação com outras cidades.
Acumulam-se na polícia os crimes sem solução, enquanto outros crimes acontecem. Não é, portanto, um município que se possa dar ao luxo de impedir que se abram novas vagas para os criminosos capturados.
A solução proposta pela Secretaria de Estado da Segurança não é a ideal, mas discuti-la, aprofundando todos os dados nela envolvidos, é questão de bom senso.
Assim, governo estadual e prefeitura têm a obrigação de encaminhar a discussão para um fórum de debates adequado e não para as páginas dos jornais, onde problemas dessa envergadura não se resolvem. Ao contrário, só se agravam e tornam mais difícil uma solução.
O governo precisa ouvir as ponderações da prefeitura. E esta precisa entender os propósitos do governo. Assim impõe a democracia quando assunto relevante divide opiniões e conceitos.
A presença de presos recolhidos a contêineres - as chamadas celas metálicas - choca e agride conceitos sedimentados na área de direitos humanos. Mas igualmente choca e agride consciências presos amontoados uns sobre os outros em delegacias policiais.
A questão da licença para a instalação dessas celas provisórias é coisa que se resolve com medidas puramente burocráticas. Então este não pode ser um argumento válido para obstruir a obra. Se o governo falhou nesse quesito, há tempo para reparar a falha.
Mas o que parece estar por trás de toda a celeuma não é uma simples questão burocrática. É um fato político. O grupo político dominante na administração serrana é de oposição ao governo, o que não quer dizer, necessariamente, que iniciativas do primeiro sejam vistas, a priori, como ações de desestabilização da autoridade municipal.
A sociedade não vai aceitar pacificamente que a questão do presídio provisório na Serra vire tema de palanque eleitoral. Ele tem que ser colocado e discutido numa mesa de negociações. Afinal, o governo não está pretendendo construir presídios numa cidade de índices baixos de violência.
Ele, ao que tudo indica, quer dar sua contribuição para minimizar o problema da criminalidade onde ela se instalou com disposição de ficar e crescer. Sentem-se a uma mesa, discutam e se entendam, senhores.
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