Comprometendo o próprio futuro





Rogério Medeiros

Para lideranças dos partidos que sustentaram a candidatura de João Coser em Vitória, a ostensiva posição adotada contra as candidaturas do seu campo político ao governo, que são as de Cláudio Vereza e de Sérgio Vidigal, em favor da reeleição de Paulo Hartung, vai se refletir no seu futuro político, quando tiver que disputar a reeleição em Vitória.

Ainda mais se PH tiver um candidato próprio. Não vai contar novamente com o PDT, muito menos com o PP, do deputado Nilton Baiano, e o PL, do deputado Neucimar Fraga e do senador Magno Malta. Pode ficar falando sozinho, ainda mais se o governador tiver que decidir entre ele e um candidato do PSDB, onde estão, inclusive, os seus mais devotados aliados. Imaginemos o governador tendo que decidir entre ele e Luiz Paulo Vellozo Lucas?

Sem contar o desgaste que vai sofrer no seu próprio partido, o PT, com essa aventura de jogar-se, politicamente, nos braços do governador Paulo Hartung. Afinal, Coser está sepultando uma candidatura importante ao futuro do seu partido. Ao mesmo tempo em que estará também evitando a vitrine eleitoral para um dos nomes do PT de maior simpatia popular, que é o do deputado estadual Cláudio Vereza.

Mas o que interessa é avaliar a atitude do Coser de voltar-se contra as forças que o levaram à prefeitura de Vitória, deixando-as no sereno eleitoral. Ele está assumindo a responsabilidade de dispersar forças partidárias que foram vitais à sua vitória na Capital e que se concentrariam nas candidaturas de Vidigal e de Vereza.

O tempo mostrará, também, que nomes fortes estarão presentes na disputa para a prefeitura de Vitória em 2008. No PSDB, há o nome do ex-prefeito de dois mandatos Luiz Paulo Vellozo Lucas e do deputado estadual César Colnago, no PDT do deputado José Esmeraldo, e o sempre bem votado vereador Luciano Rezende, no PPS.

Pelo visto, Coser assumiu uma dependência política com o governador Paulo Hartung, e vai ter que lutar para reeleger-se dentro dela, onde já há algumas feras de boca aberta para engoli-lo. Escolheu o seu lado descosturando uma frente partidária que tinha condições de competir com o governador Paulo Hartung.

Fragmentos
1 - Vem um complicador aí para o PPS: a disposição dos dirigentes nacionais do partido de abrir mão da candidatura presidencial do deputado Roberto Freire e assumir uma aliança com o PSDB, do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin.

2 - Dá uma entortada e tanto na tendência do PPS no Estado, onde o seu presidente, vereador Luciano Rezende, discute uma aliança com o PDT, do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal. Luciano, que é candidato a deputado federal, não vai querer participar de uma aliança com o PSDB para deputado federal.

3 - Pois o PSDB tem certamente o candidato que será o mais votado do Estado, que é o ex-secretário de Agricultura Ricardo Ferraço, mais outro bom de voto que é o ex-deputado federal Zé Carlinhos da Fonseca. Mas deve fazer, no caso de ele entrar na legenda, apenas dois deputados. É fria para Luciano.