Enquanto o primeiro de maio é feriado no mundo todo, na América o dia passa totalmente ignorado. Ou quase. Esse ano, os imigrantes de qualquer nível escolheram o Dia Mundial do Trabalhador para fazer um protesto contra as leis de imigração que estão sendo aprovadas ou votadas no senado.
Já bastante discutidas, essas leis são um atentado aos direitos humanos que os americanos gostam tanto de se apregoar como defensores. Na teoria a coisa é bem simples - será considerado ilegal ajudar de algum modo um imigrante ilegal. Na prática essa lei tem longas, complicadas e inimagináveis complicações.
Para começar, como saber numa emergência, quem é ilegal ou quem não é? Imaginemos uma highway de alta velocidade, na hora de maior pique. Um acidente ocorre bem na sua frente, e você, como mandam as leis cristãs de ajuda ao próximo, vai ajudar a pessoa desmaiada no carro acidentado.
Espere! Não se precipite. Antes você precisa saber se quem está ali se esvaindo em sangue é legal ou ilegal. O impasse é complicado, pois você não tem como saber se a pessoa é um americano nato ou naturalizado, um residente legal, um turista com visto de passeio, ou apenas mais um dos muitos ilegais que assolam o país.
Na dúvida você não ajuda, e a pessoa morre. Descobrindo-se depois que era um residente legal, você pode ser acusado de negligência, ser preso, e ainda carregar remorsos pelo resto da vida. Mas e se você manda a lei às favas e ajuda o próximo no momento de necessidade, e depois descobrem que era um famigerado, perigoso, indesejado e subdesenvolvido ilegal?
Você vai ser preso e condenado, porque cumpriu com seu dever de cristão e de cidadão do mundo. Vamos esticar essa situação para médicos, enfermeiros, padres, pastores, hospitais, etc, pessoas que fizeram um juramento profissional de ajudar ao próximo, independente de raça, credo, situação social, etc.
O juramento se aplica apenas aos legais? Quem vamos ajudar, quem vamos deixar morrer, antes de descobrir se a pessoa necessitada de ajuda imediata é legal ou uma invasora indesejada?
Ora direis, são situações que nós, simples mortais, não encontraremos no dia-a-dia. Mas imagine num cinema, a garota chega atrasada, senta do seu lado e pergunta o que está acontecendo na tela. Se você resumir o filme para ela, e ela for ilegal, pode se enredar nas malhas da lei, prestando ajuda a uma imigrante desqualificada.
Mas se ela for legal (nos dois sentidos), está sozinha e é bonita, você pode estar perdendo uma boa chance... Estou apoiando o movimento dos imigrantes contra as leis injustas americanas escrevendo a coluna no meu horário de serviço.
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