Um cacique Guarani, Werá Kwaray, e uma liderança Tupinikim, Paulo Henrique Vicente Oliveira, do norte do Estado, estão na Europa para se reunir com ONG's, ambientalistas, parlamentares e acionistas da Aracruz Celulose. Eles visitam cinco países, e participam de um fórum que denuncia as empresas que não cumprem os devidos critérios ambientais e sociais.
Segundo informações da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), os índios já estiveram na Noruega, onde se encontraram com parlamentares e com a imprensa local, e seguirão agora para a Suécia, Alemanha e Holanda, para se encontrarem com ambientalistas e entidades. Em seguida, partem para a Áustria, onde será realizado o fórum.
Os indígenas retornam no dia 15 de maio e estão na Europa com o objetivo de alertar, principalmente, acionistas da Aracruz Celulose, sobre a luta pela devolução das terras indígenas aos seus verdadeiros donos, desde a autodemarcação dos 11.009 hectares de terras indígenas que estão em poder da empresa, realizada em maio de 2005.
Contra a multinacional pesam denúncias das comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas do norte do Estado e ainda as denúncias feitas no Ministério Público Federal, e na Comissão Interamericana da Organização dos Estados Americanos (OEA), que alertam para maus tratos às comunidades tradicionais, uso de terras devolutas, destruição da mata atlântica e desrespeito às leis ambientais.
Desde maio, quanto autodemarcaram os 11.009 hectares de terras indígenas, os Guarani e Tupinikim do Estado reconstruíram duas aldeias. Estas depois foram destruídas por uma ação de reintegração de posse a favor da Aracruz Celulose, e executada brutalmente pela Polícia Federal. Tal ação foi contestada e motivo de tristeza e medo para as comunidades indígenas, que não foram avisadas sobre a operação. Na ocasião, 12 índios ficaram feridos e dois presos na Casa de Hóspedes da Aracruz Celulose, onde estava instalada a base operacional da Polícia Federal.
Depois disso e de muitos protestos dos movimentos de direitos humanos em todo o mundo, os índios conseguiram ser ouvidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, posteriormente, pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Ambos prometeram aos índios que as terras voltariam para seus verdadeiros donos.
No entanto, o processo ainda se encontra em andamento. Depois de um segundo estudo da Funai que comprovou novamente que a terra é legitimamente indígena, os índios esperam agora que acabe o prazo de contestação da Aracruz Celulose, para que os documentos sejam enviados pela Funai ao Ministério da Justiça, que se cumprir o prometido, deverá autorizar a demarcação das terras indígenas até o fim de setembro, homologando os 11.009 hectares pertencentes aos índios.
A repercussão negativa do ato fez ainda com que o governo sueco saísse do quadro de ações da Aracruz Celulose.
Leia mais:
|