O suplente do deputado Rudinho de Souza (PSDB) na CPI do Grampo, o deputado, também tucano, Geovani Silva (foto) foi convocado para assumir o cargo nesta terça-feira (2). Com a entrada dele, a tendência é de que a comissão ganhe um ritmo mais lento, se levarmos em consideração a postura do deputado como corregedor-geral, diante da Comissão Especial de Inquérito (CEI).
O perfil prudente em excesso de Geovani pode colocar a CPI de volta a um caminho que ela vinha seguindo antes de começar a investigar o grampo na Rede Gazeta. Desde que foi criada, a CPI teve uma trajetória confusa, sem saber bem por onde seguir.
Depois da denúncia do grampo na Gazeta, as investigações ganharam fôlego, mas a verdade é que nunca teve uma postura agressiva. Nem mesmo o deputado Rudinho, ao discursar sobre seu afastamento das funções parlamentares, fez denúncias diretas. Chegou a acusar o Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO) como mentor do grampo na Gazeta, mas não deu nomes dos responsáveis.
Geovani e Sueli Vidigal (PDT) - que assume o lugar do vice-presidente da CPI, deputado Cabo Elson, também afastado pela Justiça - chegam à CPI mais delicada da Casa. A demora nas apurações, que tiveram início em dezembro, não é bom negócio nem para o governo do Estado nem para os deputados.
Para o governo é ruim porque a cada nova denúncia sofre com o desgaste político. Para os deputados, a falta de uma definição no caso também prejudica. Cautela em demasia pode se confundir com falta de vontade política.
Geovani e Sueli devem ficar na Comissão por no máximo um mês. Isto porque Rudinho e Cabo Elson foram afastados de suas funções por conta de uma liminar e as liminares têm validade de 30 dias. Rudinho é acusado de receber R$ 15 mil de um esquema de desvio de verbas na Assembléia e Cabo Elson é acusado de contratar funcionários fantasmas em seu gabinete. Além deles também foram afastados os deputados José Tasso (PFL) e Fátima Couzi (PTB).
Outro membro da CPI do Grampo que está fora de suas funções é Zé Ramos (PFL). Ele foi afastado no final de março pela Vara dos Feitos da Fazenda Pública. Conseguiu um liminar para retomar o mandato há duas semanas, mas até hoje a liminar não chegou à Assembléia. O comentário nos bastidores é que a demora seja uma manobra para evitar o depoimento de Ramos na Corregedoria, marcado para esta quinta-feira (4).
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