Vitória (ES), edição de 03 de maio de 2006    
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Tradição italiana dos anjos em exposição na Assembléia



Cristina Moura


  
Foto: Ricardo Medeiros
  

A herança artística é algo que se constrói, principalmente, em grupos sociais definidos. O grupo familiar foi um exemplo para a artista plástica Terezinha Pelacani, nascida no município de Santa Teresa. Há uma semelhança entre o aprendizado de Terezinha e uma porção de outros aprendizados em outros grupos.

No caso da artista, os bordados são parte da tradição italiana, mantida pela mãe, Edith Coser, que, aos 81 anos, ainda faz a festa das cores. No imaginário de Terezinha parece brotar uma inspiração divinizada, não no sentido puramente do produto. O que parece ocorrer é um sentido religioso, que caminha no campo da criação. A exposição da artista bordadeira se chama "Anjos Bordados em Ponto-cruz".

Não por acaso, Terezinha é respeitadora dos anjos bíblicos, assim como da doutrina da igreja que freqüenta, a Batista. Ao ser indagada sobre o motivo da exposição, ela explica de forma tranqüila que os anjos retratados não são os "anjos do Senhor", como "Miguel Arcanjo" e "Anjo Gabriel". São outras maneiras de codificar o ser angelical.

"Os meus são os do cotidiano. São criados pelo homem para representar uma época ou um conjunto de sentimentos", afirmou. São 16 obras em exposição no Hall da Assembléia Legislativa, em Vitória. Ao anjos representam a natureza, as quatro estações, a graça, a paz, o gelo, o amor, o mar, a manhã, a compaixão, a luz, a liberdade.

Há, ainda, o clássico da Santa Ceia, que consumiu 180 meadas de uma linha francesa especial e quatro meses de elaboração. A artista compra o gráfico, ou seja, o papel com a gravura que será passada para o tecido, geralmente linho, também importado. Há também as miçangas, importadas do Japão e embaladas nos Estados Unidos. É tudo pago em dólar, portanto: cada caixa (4 g), em média R$ 8. A tela "Anjo do Amor" gastou quase 30 caixas.

Questionada sobre o material reproduzido de uma gravura e não criado espontaneamente, a artista rebate: "Tem que ter a técnica, que é repassada durante várias gerações". Ela explica que transmitir o desenho para o tecido e revestir os traços com bordados em ponto-cruz é, sim, arte e que "arte sem técnica não funciona." A exposição acontecerá até a próxima sexta-feira (05).

Serviço
"Anjos Bordados em Ponto-cruz". Exposição de Terezinha Vieira, no Hall da Assembléia Legislativa. Encerra-se nesta sexta-feira (05).


 

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