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Foto: Rodrigo Melo
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| O público que encheu o salão não ficou até o final
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O Museu de Artes do Estado do Espírito Santo (Maes) acertou em pensar uma programação para o final de semana. Turistas consideravam, no mínimo absurda, a idéia de não existir idéia para sábados e domingos no lugar. No último sábado (6), compareceu um público atencioso.
Pena que esse mesmo público foi se fragmentando e não teve paciência para assistir a uma palestra de um senhor com mais de 70 anos de idade. Talvez com o passar do tempo, talvez com mais palestras promovidas pelo Maes, o público comece a se reeducar. Quem sabe, através do hábito. José Francisco Borges, o cordelista J. Borges foi o palestrante daquele final de tarde.
Sempre bem-humorado, contou um pouco da sua história, vivida em Pernambuco. Começou logo alfinetando a classe dos jornalistas: "Jornalista é o cabra mais fofoqueiro que tem no mundo!" Todos riram. O cordel, na avaliação de J. Borges, ensinou muita gente a ler e a escrever. "Era o jornalismo de antigamente", ensinou.
Clamor cultural
Com um rito brasilianista na voz, o que dizia fazia lembrar o espírito do período pré-republicano, de lutas por um país independente moral e politicamente, a partir de um novo modelo. A voz clama pela Cultura. Borges do cordel, Borges pernambucano, Borges autor de xilogravuras apreciadas também pelo mundo. Ariano Suassuna já teria dito que Borges, ou Zé Borges como chamam seus amigos mais próximos, é o melhor gravador do Nordeste.
Na entrada do salão para a palestra, podiam-se ver as produções: trabalhos com xilogravuras, camisetas serigrafadas com as obras e cordéis aos montes. Vários, muitos, incluindo outros autores nordestinos. "A Chegada a Prostituta no Céu" foi lida por ele, durante a palestra, que arrancou risos e aplausos de todos.
Nas palavras de Borges, o Espírito Santo, visto pelos cordelistas, é um lugar onde não se chega o cordel. Ele disse não saber que no Estado, há a cordelista Katia Bobbio, com obras expostas em "O Universo do Cordel", dando início ao círculo de eventos. Os ensinamentos de Borges valem muito mais para os cidadãos do que pesquisadores, professores ou escritores que estavam presentes.
EUA: modelo
"Também fazemos as coisas sem recursos. O rústico acaba sendo uma obra", disse, relatando a produção do seu livro de memórias. O ser nordestino está nele, ao explicar: "É que se o sujeito passa o dia inteiro com fome e, mesmo assim, produz, deve ter muita história pra contar..." E ensinou sobre métrica, rima e oração. O enredo tem que fazer sentido. Um certo aspirante a cordelista mostrou a J. Borges uma obra pronta. O mestre auxiliou o aluno, dizendo: "Olha, meu amigo, rimar confiança com onça não dá."
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Foto: Rodrigo Melo
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| Do lado de fora, a possibilidade de levar para casa alguns trabalhos do pernambucano
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Apesar do seu vigor nacionalista, de lutar pela valorização da cultura popular, ele não se fez de desentendido quando o assunto foi apontar o país por onde passou, que mais lhe chamou a atenção. Não tinha como negar. Soltou suas impressões, baseadas nos seguintes conceitos: Os Estados Unidos são o modelo de nação, é o modelo de vida em sociedade, o melhor modelo econômico. É um povo alegre e hospitaleiro. O problema maior é político.
A Venezuela foi o segundo mais valorizado por J. Borges. É que no país de Chavez a Cultura está em primeiro lugar. O povo é que deve instigar a valorização. Para o cordelista pernambucano, as pessoas não devem esquecer que o artesão foi quem construiu as paredes do mundo inteiro.
Saiba mais!
Clique aqui e leia os melhores momentos da palestra de J. Borges. no Maes
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