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Foto: Divulgação
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Pela quarta semana consecutiva o Espaço Cultural da Livraria Nobel recebe o "Ciclo de Leituras Dramatizadas - Nelson Rodrigues". O evento, sob a direção de Marcio Zatta, tem como principal objetivo aproximar o público da literatura de Nelson Rodrigues, um dos maiores dramaturgos do País. Nesta terça (9), vai ser feita a leitura de "Dorotéia".
Escrita em 1949, "Dorotéia" é a sexta das dezessete peças do Nelson, nomeada pelo próprio dramaturgo de "farsa irresponsável". Na obra, é discutida a sexualidade e a repressão. A tradição e o novo, a vida e a morte, a fecundação e a esterilidade, a beleza e a maldição, a recusa do próprio corpo são alguns dos dilemas morais que Nelson Rodrigues aborda no texto.
Depois de alguns anos afastada da família, Dorotéia, uma mulher linda e mundana, que havia resolvido se prostituir com a morte de seu amante, procura suas primas, velhas, feias e reprimidas, para ter uma vida descente. Porém, suas três primas, todas viúvas, repudiam-na por causa de seu passado. Acham que por ela ser linda, é propensa a atrair o pecado.
No decorrer da história, inicia-se uma tentativa irracional de levar Dorotéia ao caminho da virtude. No enredo envolvente e repleto de fantasias o leitor é levado a conhecer o mundo caótico, onde o feio é a representação da pureza.
Nelson Rodrigues escreveu "Dorotéia" para sua amante, a cantora lírica Eleonor Bruno, chamada por ele de Nonoca, que interpretaria a personagem título. A peça marcou também a estréia de Dulcinha Rodrigues, irmã do autor, então com 21 anos, nos palcos, no papel de Das Dores. A estréia aconteceu em 1950, no Rio de Janeiro, e foi um fracasso. "É o maior fracasso do Ocidente. Nem minha mãe gostou", chegou a dizer Nelson Rodrigues.
A peça ficou apenas treze dias em cartaz e ninguém na época entendeu aquele teatro de vanguarda, repleto de absurdos que antecipavam o teatro do absurdo de Ionesco. Atualmente, porém, a discussão profunda de Nelson Rodrigues sobre a sexualidade humana e a repressão fazem de "Dorotéia" um clássico da dramaturgia brasileira moderna. Muitos dizem, inclusive, ser a peça mais genial do autor.
Ciclo de Leituras Dramatizadas
O projeto, que acontece às terças-feiras, teve início no dia 18 de abril. O ciclo compreende a uma mini-jornada de leituras de textos voltados para o teatro. No total sete textos serão apresentados, dirigidos por Marcio Zatta, da Companhia de Teatro Experimental. Desde o início, já foram feitas leituras dramáticas das peças rodrigueanas "Perdoa-me por me Traíres", "Toda Nudez será Castigada" e "Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária".
Depois de cada leitura de texto é feito um coquetel de confraternização entre os participantes do evento para troca de informações e experiências. O "Ciclo de Leituras" vai até o dia 30 de maio. Para cada leitura o número de participantes é limitado a 20 pessoas.
A apresentação de "Dorotéia" acontece nesta terça-feira, 9 de maio, às 20h, na Livraria Nobel, Av. Dante Michelini, Jardim da Penha, em frente à Praia de Camburi. A entrada é franca, mas quem quiser assistir à leitura deve fazer a reserva de entrada pelo telefone (27) 3532-9071.
Confira a programação das próximas semanas
16 de maio - "Álbum de Família" - Jonas é casado com Senhorinha e, juntos, têm quatro filhos: Edmundo, Guilherme, Nonô e Glória. Jonas tem uma forte fixação em meninas de quinze anos. Tia Rute, irmã de Senhorinha, é encarregada de ir buscá-las para ele. Edmundo sente atração pela mãe, enquanto Glória é alvo da adoração de seu pai e de Guilherme. Nonô é o filho preferido de Senhorinha, mas enlouqueceu e anda ao redor da casa totalmente nu. Uma trama de ressentimentos, desejos proibidos e incestos.
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23 de maio - "Boca de Ouro" - Após a morte de Boca de Ouro, bicheiro famoso e temido em Madureira, repórteres apuram sua história, através de D.Guigui, ex-amante do criminoso, e descobrem uma teia de perversidade e morte que ronda o passado de Boca de Ouro. Tudo isso mostrado através de flashbacks que reconstituíam as diferentes versões de D.Guigui sobre seu amado. O final é surpreendente, como não poderia deixar de ser em uma obra de Nelson Rodrigues.
30 de maio - "A Serpente" - Lígia é virgem porque seu marido Décio é impotente. Desesperada, ela ameaça se matar. Para evitar o suicídio, sua irmã Guida, que vive intensa vida sexual com Paulo, seu esposo, oferece-o a Lígia para uma noite de amor. Consumado o ato, será possível aos cunhados esquecer a noite de amor? A oferta amorosa de Guida desencadeia uma trama de ciúmes, desconfianças, ódio e manipulações.
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