A praga da terceirização




Caetano Roque da Silva


Essa tercerização de mão-de-obra que está em marcha batida no Espírito Santo, praticada com maior intensidade por Aracruz Celulose, Vale do Rio Doce, Samarco e CST, está colocando em risco o emprego no Estado. Totalmente, pois desencadeou uma série de situações. Na construção civil as empresas chegam a contratar mão-de-obra para terceiros e, quando acaba o contratato, dão no pé.

E aí ficam os desempregados à espera de uma outra empresa para se submeter ao mesmo regime de relação de trabalho. As multinacionais, sempre em busca de mais lucro, sãos as responsáveis pela disseminação de situações dessa natureza. Como elas gozam da impunidade e da proteção dos governantes, vão trazendo, no seu rastro, as empresas que vão contratar mãos-de-obra temporária para ela.

Isto é legal? Olha, não passa por legalidade o espírito dela. Quando se implantou, a terceirização objetivava melhorar a qualidade e a produtividade. Exemplo disso esteve na industria automotiva. Lá ocorreu, e com absoluta eficiência. Só que as multinacionais (estamos tratando especificamente do Espírito Santo) aproveitaram-se dela para reduzir custo na mão-de-obra.

Aí está dando no que está dando. Monta-se uma empresa, arrecada-se trabalhador para servir a um dessas multinacionais, depois a empresa some, o trabalhador fica sem os seus diretos e a empresa sequer paga os seus compromissos previdenciários. É a idade da pedra.

Por seu turno, os sindicatos ficam de mãos e pés amarrados. Pois vivem a síndrome da mão-de-obra terceirizada. Se apertar, correm o risco de perder trabalhador da sua base. Este, que de um modo geral morre de medo de virar terceirizado, ou até de perder emprego, não acossa, como deveria, o sindicato para reagir à terceirização da mão-de-obra.

É um nó e tanto. Aí, diante dessa situação, só resta aos sindicatos irem para o campo político e buscar no parlamento a modificação da legislação. Adequá-la à realidade que está no Espírito Santo e no Estado onde se encontrar uma grande empresa multinacional.

Posso parecer chato, mas onde está a solução? Na reforma sindical. O País mudou muito, as leis envelheceram, a relação de trabalho é outra, só a reforma conserta e resolve. Se não vier, a terceirização vai crescer e pode fazer desaparecer categorias profissionais, pois passaremos a ter somente trabalhadores avulsos em mãos inadequadas para tratar delas. É o Brasil de hoje, infelizmente.