Lixo legislativo




O prefeito petista de Vitória, João Coser, precisa refletir melhor sobre as coisas que assina. Não pode se deixar levar por idéias que possam seduzi-lo em matéria de conquista de votos supostamente garantidores de um futuro promissor na vida pública capixaba mas que comprometem irremediavelmente sua biografia.

Ele vem de sancionar um projeto de cunho nitidamente fascista, criado por uma mente ambiciosa e confusa da política local - a do vereador Esmael Barbosa - o qual poderá colocar em choque adeptos de duas crenças religiosas - católicos e evangélicos.

Com o dinheiro dos cidadãos-contribuintes de todas as religiões, a prefeitura de Vitória se comprometeu a erguer um monumento à Bíblia dos evangélicos, na Praça da Paz, na Enseada do Suá, para fazer sombra à Cruz dos católicos.

Obsessivamente voltado para a religião que professa, o evangélico Esmael só produziu até agora projetos que considera em favor de seus irmãos de fé (veja matéria nesta edição). Se não a totalidade, pelo menos a maioria deles tem como endereço o voto dos evangélicos.

Mas isso é problema dele. Se ele entende que não deve defender a sociedade como um todo - missão precípua de um representante com mandato popular -, que faça seu trabalho de forma isolada.

O que não se entende, nem se admite, é que Esmael conte com o apoio do prefeito de todos os moradores da Capital para supostamente beneficiar uma pequena parcela da população. E ainda por cima com o prefeito arriscando-se a provocar choques religiosos num espaço público que deveria ser democrático.

Não entendemos as razões de Coser para sancionar o projeto de Esmael. Se foi apenas para agradar aos evangélicos, vai ter problemas. Porque certamente há na Câmara Municipal de Vitória representantes de outras crenças religiosas.

Como poderia ele atender a todos os que pleitearem monumentos alusivos a seus símbolos religiosos? Compartimentando a Praça da Paz? Destinando um pedaço para os evangélicos, outro para os católicos, mais um naco paro os umbandistas e umas beiradas para judeus e muçulmanos?

Não há lógica nesse raciocínio. Só mesmo um político medíocre e mesquinhamente ambicioso como Esmael poderia criar e apresentar um projeto como esse que foi sancionado por João Coser. Lamentável sob todos os aspectos, o projeto - agora lei - merecia outro destino que não o Diário Oficial: a lata de lixo.