Vitória (ES), edição de 10 de maio de 2006

Pavão e outros 4 presos são
transferidos para a carceragem da PF



Paulo Rogério
Foto capa: Divulgação PF


Quase 24 horas depois da operação de retirada do traficante de drogas José Antônio Marin, o Toninho Pavão, do Presídio de Segurança Máxima de Viana (Mosesp II), para Polícia Federal, o Batalhão de Missões Especiais (BME) transferiu o criminoso e outros quatro detentos para carceragem da PF na tarde desta quarta-feira (10).

Considerado o traficante de drogas mais perigoso do Estado, Toninho Pavão é acusado de duplo homicídio revelado por investigação da PF.

A corporação revelou nessa terça-feira (9) que o traficante ordenou e acompanhou via celular, de dentro do Mosesp II, o assassinato de um casal, em Cariacica, no final de março. O casal lhe devia R$ 70 mil. Os telefones móveis (de mandante e executor) foram interceptados por determinação da 4ª Vara Criminal de Vitória.

Nesta quarta (10), a operação para transferência contou com cerca de 60 homens do BME, em cinco viaturas, e foi iniciada por volta das 9h. No dia anterior Toninho Pavão também esteve na sede da PF, em São Torquato, Vila Velha, para realização de exame de áudio, medida padrão para composição de inquérito desenvolvido por grampeamentos telefônicos.

Entre os outros quatro detentos transferidos está Fernandes de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção, acusado de envolvimento com o tráfico de drogas e de ter chefiado uma facção criminosa em Guaranhuns, Vila Velha. A organização criminosa coordenada por Fernando Cabeção é a mesma que teria sido responsável pelo assassinato encomendado do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Alexandre Martins de Castro Filho, em março de 2003.

Fernando Cabeção, inclusive, foi condenado a 23 anos de prisão por participação nesse crime: 18 foram por homicídio qualificado, três por formação de quadrilha e mais dois pelo furto qualificado da arma da vítima.

Após fazerem exame de corpo de delito no Departamento Médico Legal (DML), os cinco transferidos, sob um forte esquema de segurança, com homens do BME usando coletes à prova de balas e portando escopetas, foram conduzidos um a um à carceragem da PF.

A transferência dos detentos do Presídio de Segurança Máxima até à sede da PF foi determinada pela Justiça e requisitada pela Secretaria de Justiça (Sejus). Na noite dessa segunda (9), em entrevista coletiva, o secretário de Estado da Justiça, Ângelo Roncalli, informou que a transferência ocorreria em breve, mas que não divulgaria a data. Mais uma vez, irritado com a presença da imprensa, Toninho Pavão resolveu agredir um jornalista com um chute na altura da cintura, enquanto era conduzido na PF.

Duplo assassinato

Na noite do dia 28 de março deste ano, Antônio Marcos da Costa Gama, 46, e Francisca Heliene Fernandes Leite, 37, foram torturados e assassinados com 22 tiros de duas pistolas 380 pelo pistoleiro Wether Alves, também conhecido como Jonh Wayne - preso em uma unidade de detenção da Grande Vitória.

O crime foi monitorado por Toninho Pavão, após seis ligações para o executor, ao mesmo tempo que os dois eram investigados pela PF por tráfico de drogas. Toninho Pavão pode ser condenado a penas que vão de 24 a 60 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado. A Polícia Federal não descarta a possibilidade de outros assassinatos terem sido cometidos pelo traficante.

Leia mais:
  • Gravação da PF mostra Toninho Pavão ordenando
    e monitorando duplo homicídio de dentro da prisão

    (reportagem publicada em 09/01/2006)