Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Faltam definições locais e decisões em nível nacional
O quadro eleitoral capixaba
ainda está muito confuso





Cristina Moura


"Trabalhar duro sempre ajuda,
mas o importante é trabalhar com inteligência."
(Ditado inglês)

Num pequeno paraíso, em Fradinhos, mora a deputada federal peemedebista Rose de Freitas. Sua viagem a Brasília estava marcada para as 10h30 da última segunda-feira (8). Mas, para atender à solicitação desta entrevista a Século Diário, transferiu o vôo para as 14h30. Coisa típica de bons políticos, sempre atentos aos leitores e eleitores. Enquanto respirávamos aquele ar menos poluído de Vitória, um reduto, ainda, da força da natureza, batíamos um papo, sorvendo um delicioso café.

Desde agosto de 2005, quando começamos a realizar estas entrevistas com um tema único - eleições 2006 -, alguns entrevistados nos trataram com certo desinteresse. A bem da verdade, muito poucos. A atitude de Rose só demonstra que Século Diário está no caminho certo.

Em sua entrevista, Rose faz uma rigorosa análise do quadro eleitoral no Estado. Defende o governador, elogia Vidigal, pondera com o PT e fala da sua própria candidatura ao Senado. De orelha em pé, na varanda, um labrador, manso como a manhã deste outono.

Século Diário: - Está se construindo um cenário para o grande espetáculo das eleições 2006. Como a senhora avalia essa construção?

  
Foto: Apoena
  
Rose de Freitas: - Bom, primeiro, o quadro, aparentemente, lança que teremos uma candidatura de Paulo Hartung, que vai para a reeleição, e o outro candidato que, até agora, se sabe que será ou não Sérgio Vidigal ou outra pessoa que vier sucedê-lo nesse processo. Eu acho muito ruim que, enquanto no país inteiro todas as candidaturas estão postas e esse assunto está sendo debatido. No cenário ainda temos a dúvida, já que o governador também lança a possibilidade de não ser candidato, como também do outro lado não se coloca como definitiva a candidatura ao governo. Eu vejo o quadro, mas o quadro é tão confuso... Até nós, que tentamos vaga ao Senado, temos dificuldade de selecionar, em termos de discussão, participarmos do debate, etc. Então, vai além essa questão da eleição. A eleição não é só a questão de colocar candidaturas e pedir votos. A eleição conta também debater o que seria melhor para o Estado, situar o Estado num contexto nacional, tomar posições, agregar as forças que têm mais afinidades. Eu acho que é tratada com um certo personalismo essa questão da eleição, quando, na realidade, era para se discutir politicamente e partidariamente.

- Mas a senhora acredita que o governador seja candidato à reeleição?

Acredito. Acredito que ele seja candidato à reeleição.

- O cenário está propício para ele?

- Hoje, no Estado, ele tem uma candidatura amplamente majoritária, em termos de voto. O Estado passou por diversas crises. Teve governos sucessivos que deixaram a desejar. Por um lado, vamos dizer que nos últimos vinte anos tivemos uma crise política no Estado. Crise política e administrativa. Nós tivemos o governo Albuíno, que fez algumas obras importantes, mas o Estado não tinha condições de se sustentar na parte administrativa. Tivemos propostas ligadas ao desenvolvimento, mas não condições de gerir esse desenvolvimento e administrá-lo. Tivemos o governo de José Inácio, que foi um governo de crise... Tivemos o governo do Vítor, que teve uma 'apatia', vamos dizer assim. Por mais coerente que Vítor seja, por mais que tenha discutido algumas propostas, teve uma certa apatia administrativa. Deixou a desejar por esse lado também. E, no governo Paulo Hartung, se criou uma imagem de eficácia, no que tange à política financeira do Estado. Resgatou certas dívidas, desde a dos servidores públicos até fornecedores.
  
Foto: Apoena
  
Então, ele foi equilibrando o Estado, criou um certo ambiente de calma, estabeleceu uma relação nova com os fornecedores, colocando em dia, respeitando as relações. Por outro lado, estabeleceu uma interlocução positiva com a sociedade, à medida que ofereceu uma nova perspectiva ao Estado, e para que a população tivesse a idéia de um Estado transparente. E é um Estado transparente. Ninguém pode questionar. As cidades pequenas do interior, cujas prefeituras mantêm uma relação com o Estado, que dependem do Estado para manter certos serviços... Tudo isso a população sabe, como se faz, para que se faz, quando vai ser feito etc. Então, essa relação acontece.