Vitória (ES), edição de 15 de maio de 2006    
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Exposição no Maes: a vontade de ler



Cristina Moura




  
Foto: Rodrigo Melo
  

Visitantes que possuem um olhar crítico e incansável sobre a cultura popular, ficaram roendo as unhas diante da exposição "O Universo do Cordel", que começou no dia 12 de abril e se encerra no próximo dia 04 de junho. É que a exposição, que acontece no Museu de Artes do Estado do Espírito Santo, Centro de Vitória, instigou o olhar do apreciador.

Mas a proposta foi meramente visual. Meramente não quer dizer, aqui, simplesmente, de forma simplória. A interposição de cordéis pelas paredes, junto com alguns trechos de obras de nomes conhecidos da área, foi lida como um fenômeno visual. O colorido, realmente, é de causar um frisson, à primeira vista. A forma de fixar os cordéis nas paredes acabou instigando a vontade.

E, quando se fala em vontade, lembra-se de Dom Quixote, que, nas suas andanças fantasiosas, dizia ser o melhor cavaleiro do mundo. De um mundo bem pessoal. Na exposição, a vontade do visitante acaba sendo a de tocar, ler, apreciar o texto. Até comprar, se possível.

O colunista do Caderno A, Erly Vieira Júnior, ressaltou, na sua coluna do último dia 18 de abril, essa vontade impossível de ser realizada naquele momento, com aquelas obras expostas. O público fica, então, diante de uma enorme instalação, com direito a assistir a vídeos e palestras, além de apreciar algumas esculturas e xilogravuras.

Para matar essa vontade ou esse fetiche pelo objeto exposto, o Maes lançou a possibilidade de visitação à biblioteca do local. Algumas obras, incluindo as da cordelista capixaba Kátia Bobbio estão disponíveis no acervo do Maes, mas são poucas, em se tratando do rico arsenal exposto, inclusive esteticamente adaptado ao estilo de exposição, que já aconteceu no Rio de Janeiro. O trabalho de Concepção e Museulogia é de Franklin Espath Pedroso, que também é curador, junto com Pedro Karp Vasquez.

Obras raras

No sábado (6 de maio), numa rápida conversa com a diretora do Maes, Rafaela Zanete, a explicação da impossibilidade de realizar a vontade. O acervo foi obtido, durante alguns anos, pelo próprio curador. Alguns trabalhos foram doados somente para a exposição. "Ficaria difícil abrir essa possibilidade porque correríamos o risco de danificar as obras. Algumas são raras e bem antigas. Então, o Museu se reservou à proposta visual", explicou.

Naquele sábado, a palestra com o cordelista pernambucano José Francisco Borges, o J. Borges, saldou em parte essa dívida com o público. Além do rico e bem humorado diálogo com o público presente, estavam à venda cordéis por apenas um real, camisetas, xilogravuras e painéis. Os participantes ficaram com outra vontade: a de participar, mais vezes, de palestras ou cursos com cordelistas e artistas plásticos especializados em gravuras.

Saiba mais!

Clique aqui e leia a coluna de Erly Vieira Júnior "Dois Universos do Cordel"

Clique aqui e leia "Nas Mãos da Obediência Popular"

Clique aqui e leia "Borges do cordel num dedilhar poético"

 

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