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Foto: Divulgação
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| Livros do matemático Omar Khayyam foram destruídos no Iraque
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A Guerra do Iraque, entre outras atrocidades, foi palco de uma destruição da história. Na obra que acaba de ser lançada no Brasil, "História Universal da Destruição dos Livros", o ensaísta venezuelano Fernando Báez avalia em cerca de 170 mil o número de objetos culturais destruídos ou desaparecidos durante a invasão ao país.
O autor chegou ao Iraque no início de maio de 2003 e elaborou um relatório sobre a destruição do patrimônio cultural do país. Uma das maiores autoridades mundiais na história das bibliotecas, Báez classificou como "bibliocausto" a devastação do acervo iraquiano realizada pelas tropas de ocupação americanas. Um crime irreparável que o autor atribui não às conseqüências do conflito bélico, mas a uma política deliberada do Pentágono, uma destruição intencional da memória.
Nos incêndios da Biblioteca Nacional e do Arquivo Nacional foram queimadas preciosidades da cultura árabe como o primeiro exemplar de "As Mil e Uma Noites", edições antigas dos tratados matemáticos de Omar Khayyam, escritos de Averroes, Avicena, Alfarabi e outros grandes filósofos árabes, textos literários de escritores universais como Tolstoi, Borges, Sábato, manuais de história sobre a civilização suméria, manuscritos, livros e tabuletas de argila milenares.
Vários objetos foram roubados de museus, arquivos e sítios arqueológicos, tornando a recuperação muito difícil. Nos saques desapareceram milhares de tabuletas da civilização suméria, que inventou a escritura cuneiforme, a mais antiga da humanidade.
De acordo com Báez, os soldados americanos participavam dessa destruição e do saque, e vendiam o roubo dos museus e dos sítios arqueológicos aos antiquários iraquianos.
Milhares de livros foram salvos por cidadãos iraquianos e transportados para lugares secretos. Báez conta que vários intelectuais esconderam livros em casa esperando que a ordem se restabelecesse e pessoas compraram textos nas feiras para protegê-los.
O livro inclui uma breve apresentação do lingüista Noam Chomsky, um dos intelectuais americanos mais críticos quanto à política da administração de George W. Bush. "História Universal da Destruição dos Livros" oferece uma visão aterradora da devastação, que se inicia no Mundo Antigo, passando pela Inquisição e tempos das conquistas, até a catástrofe mais recente no Iraque.
"História Universal da Destruição dos Livros" - Fernando Báez
Editora Ediouro
512 páginas
R$ 49,90
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