Vitória (ES), edição de 16 de maio de 2006    
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Entre a visão, o toque e o cheiro



Felicia Borges




  
Foto: Bruno Zorzal
  

Não é só a criatividade que Miro Soares usa para fazer sua arte. Trabalhando com o café, o artista traz em suas obras uma relação com o espaço e o tempo. Miro abre nesta terça-feira (16), na Galeria Virgínia Tamanini, a mostra "Cartografias do Desmedido Tempo", com trabalhos recentes e inéditos da série "Real Tempo".

A exposição conta com uma instalação de aproximadamente 20m², três fotografias em grandes dimensões e um vídeo que foi realizado no momento da montagem da instalação. O processo de criação tem como base o café. "Eu chego na sala vazia e começo a fazer uma espécie de desenho com os grãos de café solúvel marcando o chão da galeria, depois vem o pó e por fim o spray de água para dissolver em algumas partes", explica Miro. O cheiro do café que fica no ar é outro elemento expressivo do trabalho.

Essa é a segunda mostra individual do artista - a primeira foi no Palácio do Café - e faz parte da série "Real Tempo", que teve início com a produção de pouco mais de 70 pinturas, realizadas entre 2003 e 2005. A série está ligada à temática do tempo, de vários modos, principalmente, do tempo do material utilizado. Como é feito com material orgânico o resultado que o artista obtém é bastante diferente do que é conseguido no trabalho feito com tinta industrial, que é mais estável.

"A partir da experimentação e da observação, eu vou conhecendo o resultado que eu pretendo conseguir. É uma mistura de acaso e determinação. Não tem como prever, mas eu sei o modo de fazer, tenho como ir agindo sobre a obra. O interessante é que o desenho nunca é feito previamente. Ele é feito na hora. Tem essa relação temporal e com o espaço", fala Miro.

Duas das fotos de "Cartografias do Desmedido Tempo" também estão expostas na "Hiperzoom 2006 - Foco Contemporâneo", uma mostra de fotografia contemporânea que reúne imagens de mais de trinta artistas brasileiros e espanhóis, realizada na cidade de Antonina, no Paraná.

O artista e suas obras

Nascido na cidade de Mantena, em Minas Gerais, Miro Soares veio para Vitória em 2000, quando ingressou no curso de Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, na UVV. No ano seguinte entrou para o curso de Artes Plásticas da Ufes.

Em 2003 foi selecionado para participar do 5º Salão Capixaba do Mar e publicou alguns de seus poemas na 6ª Coletânea Poetas do Espírito Santo, organizada pela Associação Capixaba de Escritores. Foi nesse ano que Miro abandonou as técnicas tradicionais da pintura para trabalhar com pigmentos naturais.

"Eu vim da produção de desenho. Depois eu comecei a entrar nessa de pintura, mas no início não dava certo. Só começou a dar certo quando eu passei a usar acrílica, só que em papel. Eu já trabalhei com terra, com gordura animal e sangue meu, isso quando eu fazia desenhos", conta Miro.

A primeira exposição individual do artista, "Real Tempo", foi feita em 2004 no Espaço Cultural Egydio Antônio Coser, no Palácio do Café, em Vitória. Miro já participou de várias mostras coletivas locais no Centro de Artes da Ufes e fora, como o XXXI Salão de Arte Jovem (São Paulo), a VII Bienal do Recôncavo (Bahia), XXXI Salão De Arte Jovem - Primeira Mão (Santos-SP) e o 12º Salão dos Novos de Joinville (Santa Catarina).

No ano passado Miro Soares, que produz também trabalhos de Infoarte desde 2003, foi convidado para participar do Projeto Taru, mostra de arte eletrônica para internet. Atualmente o artista tem se dedicado ao estudo teórico, escrevendo ensaios e reflexões sobre arte, e à pesquisa estética centrada na materialidade.

Em 2006, ele foi um dos seis capixabas entre os 27 artistas selecionados para integrar o 7° Salão do Mar, que este ano recebeu 400 inscritos. Sobre a experiência, Miro afirma que "a partir dessa edição o Salão do Mar se tornou um Salão de nível. Esse ano eles deram um passo grande. Dá um respaldo maior para quem é selecionado e também para o público que pode ter acesso a obras de todo o país. Fiquei muito contente de participar porque agora tem uma visibilidade interessante e tem trabalhos muito bons lá". O Salão vai até o dia 21 de julho, no Armazém 5 do Porto de Vitória.

  
Foto: Bruno Zorzal
  
Além da Galeria Virgínia Tamanini, onde Miro expõe a partir desta terça-feira (16), ele também foi selecionado pelos editais da Galeria Homero Massena, em Vitória, e pelo Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, em Juiz de Fora. As outras duas exposições individuais estão marcadas para o mês de agosto, em Minas Gerais, e outubro, a que acontece no Estado.

Serviço

A abertura da exposição "Cartografias do Desmedido Tempo", de Miro Soares, acontece nesta terça-feira, 16 de maio, às 19h, na Galeria Virgínia Tamanini Praça João Clímaco, Cidade Alta. A mostra vai até o dia 16 de junho e pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 13h às 19h, e sábado, das 10h às 14h.


 

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