Vitória (ES), edição de 18 de maio de 2006    
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Roteiro: o X da questão no cinema



Felicia Borges




  
Foto: Divulgação
  
"O grande nó do roteiro é conseguir transformar a peneira numa cuia. Tirar os buracos", avisa João Moraes. É com esse intuito que o cineasta ministra nesta quinta (18), sexta (19) e sábado (20) a oficina de segundo tratamento de roteiro na cidade de Ibatiba, no interior do Estado, dentro do Projeto Mova Itinerante, da Secretária de Estado da Cultura (Secult).

A partir de argumentos já finalizados no projeto "Fazendo Imagem" da Secult, João Moraes vai trabalhar a finalização do roteiro com os oficinados, em sua maioria estudantes de ensino médio do município.

No total, o projeto conta com 11 roteiros que já vêm sendo desenvolvidos em 11 municípios por Jefferson de Albuquerque Junior. É um projeto de continuidade. Já existe um roteiro de outro profissional e João Moraes vai fazer a finalização do roteiro, o que, na opinião dele, dá mais possibilidades ao trabalho e é um método comum no cinema.

Ainda este mês, os roteiros devem ser transformados em filmes. A maior parte dos trabalhos é de ficção, mas há também documentários. A temática segue bem a coisa do local. Como é uma região agrária, gira mais em torno do meio ambiente.

Na oficina, o argumento dos filmes, já finalizado em outras etapas da produção, será dividido em blocos e seqüenciado para orientar o plano de produção e filmagens, facilitando a escolha da ordem e o detalhamento das providências a serem adotadas pela produção com o objetivo de otimizar o trabalho sem jamais perder de vista o foco qualitativo e artístico do documentário desejado.

O trabalho vai ser discutido em cima da produção e da filmagem. "Vai pegando todos os problemas que existem e contextualiza com as possibilidades reais de produção. Não adianta só escrever. Tem que escrever para o que eu posso realizar. Aí é que realmente você pode errar, fazer e refazer. O roteiro é o X da questão. Se você errar nisso o trabalho está quase todo perdido", explica João Moraes.

Vai ser oferecido aos aprendizes um painel com algumas das várias possibilidades de narrativa, construção e, até mesmo, desconstrução semântica no processo da linguagem audiovisual em documentários; alteridade e metalinguagem. O processo, todo feito em ações práticas, vai resultar em textos finais para afinação posterior, efetuada pelo próprio oficinado sozinho.

"A filmagem não é linear. O roteiro tem que facilitar a questão da continuidade. Tem a preocupação da aparência física dos atores, a roupa, se precisa cortar o cabelo, fazer a barba. É um grande trabalho de planejamento. Os roteiros estão muito bem construídos, mas não finalizados. O trabalho é provocar nos oficinados esses questionamentos. A idéia é que eles tenham condição de continuar essa produção", fala o roteirista.

"Roteiro é técnica"

João Moraes é jornalista formado pela UFRJ, músico, produtor cultural, diretor de audiovisual e roteirista. É diretor e roteirista do documentário ganhador do DOCTV 2004, "Viagem Capixaba, um Olhar de Rubem Braga e Carybé, Hoje", exibido na série "Brasil Imaginário" em todas as emissoras públicas de televisão do Brasil.

Para a televisão, dirigiu e roteirizou o longa "Caminho das Águas" sobre os rios capixabas, dividido em quatro episódios para exibição especial na TVE-ES. Na primeira semana do mês de abril, coordenou a oficina prática de documentário "OlharES do Mundo" no município de Pancas que resultou no documentário "Entre Pedras e Pássaros" (25 min.). O resultado foi tão bom que ele está escrevendo o documentário em festivais.

Ele não vê diferença em fazer uma oficina de roteiro na Capital ou no interior. "Talvez no interior tenha menos salas de cinema, mas acho que a TV ensina tanto quanto o cinema. Se você não der às pessoas o instrumental não adianta elas terem boas idéias. Roteiro é técnica. Não existe diferença se as pessoas não tiverem um conhecimento de como se faz um roteiro. A densidade da cultura é muito mais importante, seja ela acadêmica ou empírica, o que faz diferença é a vontade de saber", acredita.

Segundo João Moraes, o Espírito Santo está na média do resto do país, com uma produção cinematográfica freqüente. "Na verdade tem pouca gente no Estado, mas os que existem aqui estão fazendo bem. Acho que o nosso histórico é muito rico e nós temos um tamanho que nos obriga a crescer".

Saiba mais!

A oficina de segundo tratamento de roteiro com o diretor e roteirista João Moraes acontece em três dias de quinta-feira (18) a sábado (20), na Secretaria Municipal de Educação de Ibatiba. O trabalho vai ser feito em regime de imersão a partir das 8h, com almoço ao meio dia, volta às 13h30, podendo ir até às 20h seguido de jantar e reunião final de trabalho. Mais informações pelo telefone (27) 3132-8359.

Clique aqui e acesse o site Roteiro de Cinema


 

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