Os demais prefeitos presentes ao encontro de segunda-feira com o governador Paulo Hartung, no palácio Anchieta, não tiveram a mesma percepção de Walter de Prá, de Nova Venécia, que sentiu o desejo do governador de trocar sua reeleição pela eleição da ex-deputada Rita Camata.
Os que foram consultados pela coluna estão convencidos de que o governador pode dar os sinais que quiser na direção de outro nome, que o candidato permanecerá sendo ele. Alguns até disseram que substitui-lo, a essa altura, por qualquer nome que seja, é beneficiar a oposição.
Fixando-se no caso da Rita: ela começa por dividir o próprio PMDB, deixando à mostra seu temperamento desagregador. Rita sempre foi uma política de relação direta com o eleitor, dando pouca importância aos quadros políticos, disse um deles.
Assim como vêem defeitos na Rita, também encontrarão em outro nome qualquer que PH tire do bolso do colete. Também, para eles, o governador está condenado a ser candidato à reeleição. Pois foi ele mesmo quem costurou todo o interior a seu favor. A ponto de unir adversários em torno do seu nome, como ocorreu com José Carlos Elias (PTB) e Guerino Zanon (PMDB), em Linhares, Marcelino Fraga (PMDB) e Guerino Balestrassi (PSB), em Colatina, e Roberto Valadão (PMDB) e Theodorico Ferraço (PTB), em Cachoeiro de Itapemirim.
Fora desse recinto de prefeitos, o que corre hoje nos meios políticos é que o governador está aguardando o desfecho do caso Max-Vidigal, para então dar uma de d. Pedro I : se é para o bem do Espírito Santo e felicidade geral do capixaba, diga ao povo que sou candidato.
Por que não há mais como conceber que um político dispondo do mais alto cargo de seu Estado ande por aí a procurar outro nome para ceder o lugar. Realmente não passa pela cabeça de ninguém. Só o fato de contar hoje com a chamada fé pública e que o deixam ir empurrando os outros com a barriga e tonteando a oposição. Ninguém esvaziaria em vão uma candidatura como a de Vereza, do PT, se não fosse a favor de consolidar uma eleição para o governo.
Mas PH é PH. Vai intimidando uns, afagando outros, acalentados outros, tudo em proveito político próprio. Esse estado de coisas ainda dura mais uns 30 dias.
Fragmentos
1 - Por falar em Rita, o marido, o senador Gerson Camata (PMDB), está na rua vendo já as obras da sua secretaria, abrindo um ritmo de quem se empolgou com a nova função. Quebrou o tédio do terceiro mandato para o Senado, onde andava meio apagado, já até portando-se como os velhinhos da Casa.
2 - Apesar das queixas dos governistas que concorrem à Câmara dos Deputados, de que a ida dele para a secretaria beneficia a candidatura de sua mulher, o palácio Anchieta está convencido de que ele no cargo vai agregar para todos no interior, principalmente por lá, onde circula com imenso desembaraço.
3 - Por outro lado, o governador também não duvida da fidelidade dele. Camata vem sendo o mais leal político que o governador conquistou de fora do seu grupo. Tem hoje seu destino político atrelado ao do governador. Essa relação é fundamental ao destino do próprio governador, pois Camata continua sendo ainda uma boa grife política no Estado.
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