Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Na eleição de governador não tem pra ninguém
É Paulo Hartung de norte a sul





Cristina Moura


"O segredo do sucesso é o esforço concentrado nele."
(Bernard Shaw )

Entre um olhar e outro, o prefeito de Linhares esboça a sua tranqüilidade. Talvez por isso mesmo ele veja sem problemas o projeto de reeleição do governador Paulo Hartung. Elias e seu grupo, não somente em Linhares, mas nos municípios circunvizinhos, por enquanto estão decididos.

Nesta entrevista, da qual participou também o jornalista Rogério Medeiros, o prefeito de Linhares declarou a sua admiração e seu apoio ao governador. Ainda não há definição quanto ao candidato ao Senado que receberá o apoio do grupo, comandado pelo maior colégio eleitoral do norte do Estado.

Mas, há, no entanto, nomes sendo avaliados para suplente de senador, deputado federal e estadual. José Carlos Elias cita poucos. Diz que as lideranças ainda não fecharam todos os nomes do partido e as alianças. Há a possibilidade de o partido unir-se ao PSDB e ao PP. E, para o prefeito, ainda é cedo para pensar em 2010.

Século Diário: - Em qual direção vai o PTB nas eleições 2006?

  
Foto: Rodrigo Melo
  
José Carlos Elias: - Eu, José Carlos Elias, e o próprio PTB temos uma posição firmada de apoio ao governador Paulo Hartung. Eu, particularmente em Linhares, nós sempre marchamos juntos. Ele me deu um apoio imprescindível nas eleições municipais. E no PTB a tendência majoritária é marchar com o governador. Ba eleição proporcional, estamos discutindo o que é melhor para candidatos a deputado estadual, como para federal. Estamos conversando aí com o PP, com o PSDB, com o próprio PMDB, então, para ver aonde vamos chegar. A tendência, hoje, é uma coligação que o PTB aceita com o PMDB, e também uma que está próxima, que é PSDB e PP. Estamos conversando.

- Eleição é cinqüenta por cento voto e cinqüenta por cento uma boa aliança...

- Acho que essas candidaturas colocadas numa aliança, de PTB, PP e PSDB, há nomes representativos dos maiores colégios eleitorais do Estado. Mas, logicamente, queremos uma legenda substancial para eleger, pelo menos, uns quatro representantes. Nós temos Cachoeiro de Itapemirim, que é o maior colégio eleitoral do sul, e Linhares, que é o maior colégio eleitoral do norte. São Mateus, Aracruz e, por aí, você vai... A Grande Vitória, Cariacica, Vila Velha... Então, eu acho que as alternativas são fazer uma legenda e, logicamente, as candidaturas do nosso partido com a chance de eleição de algumas candidaturas colocadas para deputado federal.

- No seu município, de grande influência político-eleitoral no Estado, há uma disputa histórica entre José Carlos Elias e Guerino Zanon. Quem é que vai pegar Guerino de frente lá?

- Eu não sou candidato. Eu já o enfrentei como administrador, como prefeito, em duas candidaturas. Para federal, que ele lançou Massukati... Nós fomos bem sucedidos. Logicamente, que agora, eu sou prefeito, eu não sou candidato. Nós vamos pelo nosso candidato. Lógico, ele é ex-prefeito, é mais conhecido, mas note que nossas candidaturas são bem posicionadas, principalmente a do padre Maurício Fornaciari hoje. No começo, houve uma certa resistência, não porque ele iria ser candidato, mas porque a comunidade iria perder o padre que tanto gosta. Mas o nome dele está bem difundido, não só em Linhares, como lá no norte, e nós estamos agora avaliando a candidatura a deputado estadual. A candidatura a estadual vamos defini-la até o final deste mês. Temos companheiros do PSDB, que estão colocando nomes. Temos do PTB, mas vamos consultar as nossas lideranças para chegar a um nome de consenso, que caminha para o atual vice-prefeito.

- Esse é o concorrente de Guerino?

- Ele ou outro nome que venha surgindo.

- Como é que o senhor está avaliando a eleição de Paulo Hartung? É uma eleição tranqüila?

- Eu acho que sim. Tranquila... Na verdade, nenhuma eleição é cem por cento tranquila. No Estado, estamos nos preparando para esse processo de eleição para governador. Eu tenho observado, tenho andado, tenho conversado com os prefeitos, eu vejo, em nível de prefeituras, que pelo menos noventa por cento estão bastante entrosados para apoiar Paulo Hartung. Eu vejo aí um jogo de xadrez, vamos mexendo as pedras. Paulo fez uma corrente, já saiu PSB, eu acho que o próprio PT, aliado histórico do PSB e do próprio PL, os interesses a nível federal... Eu acho que aí há a possibilidade de se juntarem para uma candidatura ao Senado... alguma coisa. Na chapa de majoritária, quem sabe, aí, um vice-governador... Está sinalizando para isso. Eu vejo, hoje, o espaço bem restrito para tantas candidaturas. O tempo é muito curto para se mudarem as regras do jogo. Nesse ponto é que eu acho tranqüila a reeleição do governador Paulo Hartung.

- E Sérgio Vidigal?

  
Foto: Rodrigo Melo
  
- Olha, o Sérgio... Vejo uma votação expressiva na Serra e na Grande Vitória. Mas no interior, hoje, é ainda pouco conhecido. É uma pessoa muito boa, bom administrador, mas acho que demoraram para uma definição. O PDT, pelo que a gente sente, anda meio rachado. Há duas tendências. Ele, até se aglutinar e se refazer, esse trabalho que o governo vem fazendo, leva mais tempo. Então, eu vejo, aí, uma candidatura forte, mas só aqui, principalmente na Serra.. Mas, no interior, eu acredito que muito poucas lideranças, que poderiam apoiá-lo, já têm um compromisso com o governo do Estado.

- Agora, se o senhor fechasse os olhos e abrisse em 2009, final do segundo mandato de Paulo Hartung, caso reeleito... A quem seria que ele entregaria o governo?

- Olha, isso aí eu acho que é uma incógnita. Mas acho também que ele vai tirar esse nome fora do PMDB. Ele hoje é PMDB. Eu não sei a quem esse nome iria ser o vice. Esse vice, ele tem que pensar muito. Ainda tem os nove meses que o vice vai assumir para que ele entre no Senado, por exemplo. Eu acredito que ele vá escolher os nomes dentro dos partidos aliados.