A CUT realizou o seu congresso estadual, que foi no último fim-de-semana, e manteve a entidade em poder da mesma corrente sindical que elegera José Carlos Pigatti. O que foi eleito agora é o presidente do Sindicato dos Comerciários, José Carlos Nunes.
Passada a eleição, a minha preocupação volta para a grave situação da terceirização da mão-de-obra que se expande e chega ao serviço público. Algo que os sindicatos, muito menos as centrais sindicais, não conseguiram ainda deter. O que mostra, de certa forma, que eles não estão à altura do problema que está na porta deles ameaçando o emprego dos trabalhadores, porque a terceirização é subemprego.
Uma das raízes da terceirização é exatamente o comportamento atual das direções das centrais, onde dirigentes sindicais, como vem a ser o caso do novo presidente da CUT e foi também do anterior, acumulam com a direção dos sindicatos. Sindicato é uma coisa. O ramo de atividade dele é a categoria em si. A Central nasceu para promover a unidade dos trabalhadores, numa ação além dos sindicatos. Não dá para ficar nos dois.
Essa questão da terceirização, por exemplo, pertence às centrais. A CUT, que é a mais representativa delas, já deveria estar tocando contra ela. Principalmente aqui no Espírito Santo, onde a terceirização vai engolindo os empregos dos trabalhadores, trazendo uma péssima qualidade de vida para eles.
A terceirização está bem enraizada na antiga estrutura sindical. O ponto crítico continua sendo a atual estrutura sindical, que mesmo nesse grau de exigência de mudanças não entrou ainda na discussão da reforma sindical, apesar de o governo do presidente Lula abrir espaços e continuar insistindo em fazê-la.
Mas, como o nosso universo é o Espírito Santo, a minha apreensão vai para a CUT-ES, que não conseguiu avançar na sua própria proposta, que é da reforma sindical, e arca com as conseqüências dessa crise social que vem sendo criada com o instituto da terceirização. Que o novo presidente da CUT possa enfrentar os problemas nas suas diversas frentes, que vão hoje das grandes empresas e chegam ao setor público municipal da Grande Vitória.
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