Sem baixarias




Muito oportuna a crítica do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE/ES), desembargador Frederico Pimentel, à troca de ofensas entre pré-candidatos ao governo do Estado. Sua argumentação é irrefutável: os candidatos devem defender o voto em seus partidos como forma de fortalecer a democracia.

Atendem os candidatos para as palavras do desembargador: "Vamos cessar com o comportamento de que não se deve votar no partido e sim em candidatos. Isto em nada contribui para a democracia".

Perfeita a observação, pois ao personalizar os discursos os candidatos deixam de contribuir para o esclarecimento do eleitorado. Voto em candidato e não no partido atenta contra a democracia. "Devemos evoluir e amadurecer politicamente. Devemos votar em partidos que correspondam às nossas expectativas na escolha do nosso candidato. Isto está faltando no Brasil. Numa democracia temos que evoluir", disse Pimentel em entrevista a este Século Diário (veja matéria em destaque nesta edição).

A preocupação do desembargador se justifica pelo quadro atual da política brasileira, que mostra partidos enfraquecidos, muitos defendendo os mesmos princípios "Hoje tem siglas socialistas, trabalhistas e de trabalhadores. São as mesmas. Me desculpem os políticos. Isto ocorre com o objetivo único de viabilizar condições nas disputas de espaço em horários gratuitos nos meios de comunicação. Há de se fazer uma reforma política, para um novo desenho de nossa história social e política".

O presidente do TRE capixaba apóia com restrições a chamada cláusula de barreiras, pela qual os partidos devem atingir um índice mínimo de votos para ter existência legal, mas entende que candidatos à presidência da República e aos governos estaduais devem ter tempo suficiente e igual para divulgar suas mensagens. "Não se pode limitar o tempo, o tratamento tem que ser isonômico, sem discriminar. É o processo democrático colocado em prática. Evidente que se possa até criar alguns requisitos para estruturar este padrão", ele pondera.

Pimentel é de opinião que trocas de ofensas não influem na escolha do eleitor, que a seu ver está mais interessado nas propostas do que no julgamento moral. "Estas divergências têm pouca importância. O eleitor está conscientizado e saberá avaliar todos estes problemas para fazer sua escolha".

Que as observações do presidente do TRE sirvam para a reflexão dos candidatos sobre como devem se comportar na campanha. A verdade é que não há mais espaço para baixarias no cenário político nacional e local.