Suruaca (ES) e Everglades (USA)





Ubervalter Coimbra


O que tem em comum as regiões do Vale do Suruaca, no Espírito Santo, e dos Everglades, no Estados Unidos da América (USA)?

Reportagem do conhecido jornalista José Hamilton Ribeiro, levada ao ar na TV Globo no final desta semana, com dados aqui livremente traduzidos pelo colunista, aponta que na região dos Everglades, na Flórida, um rio desaguava em um grande lago. A partir daí formava uma região de pântano, onde as águas das chuvas levavam até um ano para, do rio, chegar ao mar.

No início do século passado, sob inspiração de engenheiros militares, uma fortuna foi gasta para drenar a região dos Everglades, com a justificativa de criar uma gigantesca área para a agricultura. Como resultado, as águas das chuvas que alcançavam o rio passaram a desaguar no mar em 24 horas. A salinização da região exigia não só grandes somas em dinheiro para fomento da produção agrícola, como água, que acabou faltando para milhões de moradores da região. O projeto, inviabilizado, está sendo revertido, uma vez mais, a peso de ouro.

O Vale do Suruaca, principalmente ao norte, mas também ao sul do Rio Doce, tinha equivalência para o Espírito Santo, do Pantanal Matogrossense para o Brasil. No século passado, foi criminosamente drenado. Como resultado desta ação nefasta do homem sobre o ambiente tão sensível, "beneficiando" alguns latifundiários, a região se tornou o maior Deserto Químico do planeta.

O Deserto Químico do Vale da Suruaca é formado da seguinte maneira: com a drenagem da água, aflorou a matéria orgânica, originada da turfa. Na sua decomposição, é produzido enxofre. Este, na presença da água, produz o ácido sulfúrico. A região se torna desértica, e nada mais produz. A desertificação é do solo e da água.

O Deserto Químico tem o seu centro na lagoa do Suruaca. A área diretamente afetada é estimada em 1,5 mil quilômetros quadrados. Indiretamente, prejudica uma região com cerca de 12 mil quilômetros quadrados, com uma população de 1,15 milhão de habitantes. O Deserto Químico do Vale do Suruaca não para de crescer.

Existe pelo menos uma proposta para tentar reverter o Deserto Químico do Vale do Suruaca. Para ler a reportagem "Deserto químico do Suruaca está entre os maiores do planeta", basta clicar aqui

Do poder público, nada se ouviu sobre ela.

O colunista está convencido de que as autoridades com responsabilidade ambiental, do Governo Estadual e municípios no Espírito Santo, e, da União, devem se mirar no exemplo do que está sendo feito em Everglades e discutir a recuperação do Vale do Suruaca e parte de sua extraordinária riqueza ambiental.

Uma sugestão é que no processo de recuperação do Vale do Suruaca sejam empregados recursos de compensação ambiental dos investimentos em petróleo que estão sendo realizados na região norte capixaba.

A recuperação do Suruaca deve ser feita logo.

Antes que seja tarde!

Contato: ubervalter@seculodiario.com