Vitória (ES), edição de 24 de maio de 2006    
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Da série "Memória Brasileira"

"o orelhão da minha rua estava escangalhado o meu cartão tava zerado mas você creia se quiser"



Heraldo Ferreira
Atualizado toda quinta-feira, às 16 horas


Esta coluna foi feita para você que sempre teve curiosidade de saber quem foi que inventou o orelhão. Não o telefone público! Este quem inventou foi Thomas Watson, assistente de Alexander Graham Bell. Aquela casca, o protetor modular para logradouros públicos, vulgo orelhão, é uma invenção tipicamente brasileira, apesar da sua criadora ter nascido em Shangai.

A arquiteta Chu Ming Silveira (1941-1997), naturalizada brasileira, formada em Arquitetura na Faculdade Mackenzie em São Paulo, em 1964, era Chefe da Engenharia de prédios da Companhia Telefônica Brasileira em São Paulo quando criou o mobiliário urbano mais conhecido em todo o Brasil.
  
Foto: Divulgação
  


Sua implantação ocorreu inicial e experimentalmente à Rua Sete de Abril, ao final de 1971, nas instalações da própria CTB em São Paulo (que se transformou depois em Telesp). Em seguida foram implantados os orelhões nas vias públicas em 1972, quase que simultaneamente em São Paulo e no Rio, nas suas datas de aniversário.

Sua criação foi espontânea, oferecida à empresa e ao público e muito bem aceita, tanto pela CTB quanto pelo público. O Estado de São Paulo de 1/2/1972 noticiou na matéria "CTB ensina a usar o orelhão" que "A arquiteta Chu Ming Silveira (...) partiu da forma acústica mais perfeita - o ovo - que foi ao mesmo tempo a mais econômica".

Os modelos externos, de fibra de vidro, naquela ocasião eram chamados simultaneamente de CHU-2, de Tulipa, de Capacete de Astronauta e de Orelhão. Os modelos internos, transparentes, já haviam sido instalados experimentalmente na CTB, à Rua Sete de Abril em São Paulo, e levavam, carinhosamente, o nome de CHU-1. Além desses modelos, a arquiteta Chu desenvolvera também outros modelos, que foram instalados em postos de gasolina e outros locais.

  
Foto: Divulgação
  
Hoje em dia, o orelhão é largamente difundido em todo o Brasil, encontrando-se até cópias e versões similares em outros países. Pena que o design limpo, correto e econômico seja descaracterizado ao se travestir das mais diferentes formas. Do Oiapoqui ao Chuí a criatividade brasileira não tem limite ao adaptar o orelhão a um berimbau, coco, marlim azul, entre outras.

Saiba mais!

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