"A vida está sempre ocupada em se reproduzir e em se aperfeiçoar."
(Simone de Beauvoir)
Socialista convicto e psicólogo por formação acadêmica, nosso entrevistado desta semana fala de um projeto de inversão. Tal empreitada seria a nova proposta do PSOL. Sílvio Felinto, o presidente do partido no Estado, desabafa sobre a "política neoliberal" que está rondando o País há vários anos.
Sindicalista atuante, especialmente ligado ao funcionalismo público federal, Felinto milita por uma causa que conta com alguns nomes também no cenário estadual, tendo como ponto de convergência a candidatura da senadora Heloísa Helena à presidência da República.
O próprio Sílvio vai tentar uma vaga na Assembléia Legislativa, assim como outros nomes que ele cita, a maioria ligada à classe trabalhadora. Para reeleição, o PSOL conta com o nome da deputada estadual Brice Bragato, ex-petista, assim como a maioria dos filiados à legenda, que romperam com o PT após a onda de denúncias.
Para federal, há alguns bons e ainda desconhecidos nomes no Estado, sobretudo no interior. Mas todos comungam da proposta socialista, de luta pelos trabalhadores e de ações como o não pagamento da dívida externa. Pode-se dizer que o PSOL acredita que é a única alternativa de esquerda no Estado.
Século Diário: - Como é que o PSOL está se posicionando em relação a esse cenário que está se construindo, principalmente para as eleições 2006?
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Foto: Rodrigo Melo
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Silvio Felinto: - Olha, o PSOL é um partido que está se organizando. O PSOL é um partido novo, não é? No processo de legalização, houve uma ruptura de parte do PT. Alguns companheiros, como a senadora Heloísa Helena, deputados federais e estaduais foram alguns exemplos. Na verdade, o PSOL é um partido que marca uma ruptura com esse sistema de governo, que se traduz no que o PT é hoje. Partido que, para nós, está falido enquanto instrumento de luta dos trabalhadores. Estamos tentando resgatar todos os nossos princípios iniciais de luta e objetivos políticos e a construção do socialismo no Brasil. Nós constituímos o PSOL, faz alguns dias que está legalizado, oficialmente. Agora nós vamos partir para um processo eleitoral, o primeiro processo eleitoral, já com a candidata a nacional... Uma pré-candidata... (risos) Não pode falar candidata ainda. Mas é a nossa pré-candidata, que vai ser confirmada na nossa conferência neste final de semana. E em junho, obviamente o prazo legal, para se constituírem as candidaturas de fato. Então, estamos pensando no PSOL como uma alternativa, uma alternativa à esquerda. Não existe mais isso aí. Os partidos que se diziam partidos de esquerda, agora nós estamos vendo quem são. São os que estão fazendo, agora, o mesmo jogo neoliberal da política tradicional: PSDB, PFL, PMDB... e todos esses partidos. O governo Lula, o governo do PT e seus aliados, PCdoB, e vimos agora como eles estão envolvidos numa canalheira só. É aquela canalheira do PTB, também, envolvido no escândalo do mensalão. Estamos envolvidos com um novo objetivo, diferente da política que aí está. Estamos propondo um novo diálogo, pois hoje o que há é a falta de polarização. Não há polarização entre um lado e outro, tanto para a imprensa, para a mídia, quanto para os eleitores desse país. O PT não só segue o roteiro neoliberal, em termos de conflito com a sociedade. Os projetos de desenvolvimento que eles pregam prejudicam, e muito, os trabalhadores do país. Além disso, eles não aprofundam as discussões. Mantêm o pagamento da dívida externa... Há uma série de questões: a reforma sindical, a reforma trabalhista, em jogo. Têm uma proximidade com o projeto, segundo os capitalistas, de evitar o risco Brasil. Na visão dos trabalhadores, diminui a força de trabalho, retira direitos. Retirar décimo terceiro, retirar custo à maternidade, retirar uma série de conquistas que a classe trabalhadora levou anos e anos de luta para conseguir.
- E o PSOL no Estado?
- Recentemente, fizemos uma plenária e decidimos pelo lançamento de uma chapa completa. Estamos tentando, ainda, manter um diálogo com todos os companheiros filiados ao PSOL, para tentar definir a chapa majoritária.
- Qual é o nome para disputar o governo?
- Por enquanto, não podemos dizer. Preferimos fazer assim, até para segurar um pouco a curiosidade, ao mesmo tempo dialogando internamente. Alguns companheiros já se dispuseram, mas ainda precisamos definir mais. Mas estamos nos preparando para lançar uma chapa para a majoritária, além da proporcional.
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Foto: Rodrigo Melo
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- Estes já estão definidos?
- Há vários definidos. Mas temos que vencer a cláusula de barreira, mas a cláusula de barreira é um dos elementos que todos terão que enfrentar. O nosso objetivo é apresentar um programa para os trabalhadores, os eleitores capixabas e os eleitores do cenário nacional. Nosso projeto vai contra esses projetos neoliberais que estão sendo adotados, tanto no Brasil quanto no Estado, parecido com o que o governo Lula quer adotar.
- Para a majoritária, quem vai disputar?
- Ainda estamos definindo. É essa a discussão interna, que ainda está acontecendo. Esperamos que, na convenção, a ser realizada no mês de junho, que daqui até lá já tenhamos o nome definido.