Vitória (ES), edição de 29 de maio de 2006    
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Atire a primeira pedra quem nunca precisou dela



Felicia Borges



  
Foto: Divulgação
  

"No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho", já avisava o poeta Carlos Drummond de Andrade. E realmente ele tinha razão. A pedra sempre esteve ligada à história do homem. Para demonstrar isso, o cineasta e músico João Moraes está dirigindo o documentário "Pedras no Caminho do Homem".

A idéia de fazer um filme sobre pedras é resultado de conversas sobre o homem capixaba. O quanto as pedras têm provocado expectativas, interesses e realizações, para um contingente cada vez maior de pessoas e empresas, com a intensificação e diversificação das atividades de exploração, transformação, comercialização e utilização dos mármores e granitos. A idéia é fazer um filme fundamentado na realidade do Espírito Santo, mas buscando o que de universal possa ser revelado e demonstrado por imagens e depoimentos.

A intenção é mostrar a trajetória evolutiva do homem em face de sua relação com as pedras. "Desbrutalizar a imagem que a pedra e todos os segmentos que trabalham com a pedra têm, o ouro, o ferro, o mármore e o granito. A gente quer que as pessoas vejam como a pedra está na trajetória do homem. Como primeira mídia, como proteção, aqui a questão de escalada para olhar quem está embaixo, o fascínio do ponto de vista místico e religioso. E nos acompanha até hoje. A pedra está no chiclete, no aço, no chip do computador. E a gente não tem muita visão disso", explica João Moraes.

As imagens serão associadas a depoimentos de personalidades nacionais e mundiais, que lidam direta ou indiretamente com a pedra, como a arqueóloga Niéde Guidon, o arquiteto Oscar Niemeyer, o professor Ennio Candotti, o músico Hermeto Pascoal, a poeta e psicanalista Viviane Mosé e o artista plástico Carlos Vergara, entre outros, e ainda de profissionais e personagens anônimos. Todos vão ajudar a conceituar e contextualizar o tema. Se o olhar sobre ela é geralmente de uma coisa rude, grosseira, o cineasta espera "criar uma outra forma de olhar esse universo", diz.

Além de imagens no Estado, nos municípios de Cachoeiro de Itapemirim (Alto Modelo, Itaoca e Gironda), Castelo (Estrela do Norte), Nova Venécia, Águia Branca, Vila Velha (Penedo), Vitória (Pedra dos Dois Olhos e Pedra da Cebola) e em uma região de garimpo de pedras semipreciosas entre Ecoporanga, Nova Venécia e Vila Pavão, também serão feitas filmagens no Rio de Janeiro e no Piauí (Serra da Capivara). As imagens do filme vão registrar os usos e processos de intervenção do homem e da natureza sobre a pedra.

O grupo de pessoas que está fazendo o filme é formado por profissionais do cinema e dos mais diferentes ramos, todos eles ligados aos temas que tratam das pedras, dos homens e das relações de troca que existem entre os dois conjuntos. A direção é de João Moraes, jornalista e pesquisador premiado pelo Ministério da Cultura como diretor e roteirista em 2003 com o documentário "Viagem Capixaba - Um Olhar de Rubem Braga e Carybé, Hoje", vencedor do prêmio DOC-TV/TVE Brasil, 2004, ES, exibido nas redes públicas de televisão, com exibições previstas em TVs da Europa e América Latina.

A produção executiva e o argumento é de Álvaro Abreu, professor e engenheiro de produção dedicado à promoção de desenvolvimento tecnológico, que teve participação destacada no processo de modernização da indústria capixaba de mármore e granito e é um dos autores do livro "Força das Pedras" (1994); o roteiro é de Rebeca Tosta, assistente de produção e edição no documentário "Viagem Capixaba - Um Olhar de Rubem Braga e Carybé, hoje"; e a produção é de Maria da Penha Garcia, que trabalhou no Jornal Gazeta, foi produtora de comerciais da TV Gazeta Sul e produziu o documentário "Viagem Capixaba - Um Olhar de Rubem Braga e Carybé, Hoje".

Já foram filmados 60% do documentário. Atualmente está sendo feita a pré-produção para dar continuidade ao filme, que foi contemplado pela Lei Rouanet. O documentário vai ter 52 minutos e a previsão é de que até setembro "Pedras no Caminho do Homem" esteja pronto para ser exibido em redes de TV e cinema. A distribuição será feita pelo Instituto Marlim Azul.

  
Foto: Divulgação
  
Mais produção

Atualmente João Moraes está trabalhando também em outro filme. No ano passado ele foi o único selecionado, entre os projetos capixabas inscritos, pelo o edital do Programa Petrobrás Cultural em 2005 com o curta de animação "Ai de Ti".

Junto com João Moraes estão os animadores Diego Scarparo e Leandro Batista. O projeto é uma animação baseada na crônica de Rubem Braga "Ai de Ti, Copacabana!" (1958). A estréia vai ser no final do ano e será disponibilizado também na internet, em um site que vai ser construído à medida que o projeto for sendo desenvolvido.


 

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