O governo estadual não pode, nem deve, embarcar na canoa furada do bombardeio aos esforços do governo federal de proteger da depredação a região de Abrolhos, um santuário ecológico de valor inestimável para a preservação da vida marinha.
Nesta quarta-feira (31) o governador Paulo Hartung tem encontro agendado com a ministra-chefe do Gabinete Civil, Dilma Roussef, para tratar do assunto. Só que ele não está corretamente municiado para aprofundar a discussão, pois se encontra sob influência de membros do seu governo contrários à criação de uma área de proteção ambiental em Abrolhos.
O governador, a nosso ver, está sendo induzido a erro. Ele se dispôs a lutar pela suspensão da portaria do Ministério do Meio Ambiente (MME) que protege Abrolhos com base em informações que não condizem com a realidade.
Pela voz de seu superintendente regional, Ricardo Vereza Lodi, o Ibama capixaba já informou que a portaria não prejudica nenhum dos projetos em andamento naquela área. Ele apenas dificulta o licenciamento de novos projetos, o que nem sequer foi cogitado.
A preocupação do governador - justa, diga-se a bem da verdade - é que alguns dos projetos de prospecção de gás em andamento nas imediações de Abrolhos venham a ser interrompidos pela rede de proteção ambiental que o MME vai estender sobre a área de Abrolhos onde inúmeras espécies se reproduzem, inclusive baleias e golfinhos.
Por desconhecimento, alega-se que a decisão sobre a medida a ser adotada pelo governo federal não foi suficientemente discutida pelas comunidades envolvidas. Foi, sim. Durante cerca de dois anos o governo federal promoveu encontros para um debate amplo e profundo da questão.
Interesses distantes da questão ambiental - mais focados no aspecto econômico - estão em causa nessa postura que o governo do Estado erooneamente assumiu. Ainda se se tratasse interesses justos e procedentes, visando a preservar atividades que beneficiariam o Estado, seria compreensível que fossem colocados na mesa de discussões. Mas não são.
Escondem um posicionamento que ambientalistas e cidadãos de bem capixabas conhecem muito bem, pois são vozes que jamais se opuseram às agressões ambientais praticadas no Estado, notadamente pelas chamadas grandes empresas que aqui se instlaram durante a ditadura militar (Aracruz Celulose, CST, Vale do Rio Doce e Samarco, entre outras).
Não são, portanto, opiniões respeitáveis. Torcemos para que o bom senso prevaleça no seio do governo estadual e o governador reformule o mau juízo de valor a que foi induzido.
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