A inclusão do litoral norte capixaba, até a foz do Rio Doce, na Zona de Amortecimento (Z.A.) do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, deve ser considerada uma decisão muito importante pelos capixabas. Diferentemente do que afirmam na imprensa velhos e obtusos colunistas e outros aventureiros das palavras, ou, os próprios jornais locais, em suas "reportagens" sobre o tema.
A inclusão do litoral norte capixaba como Zona de Amortecimento veio por portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A decisão confirma ser a região de alta sensibilidade ambiental.
Por proposta do governo do Estado, gestões passadas, já se estuda para a região a criação de uma Reserva Extrativista Marinha (Resex). Seu tamanho é limitado. E, como cresceu extraordinariamente o interesse pela exploração do petróleo na região, após a sugestão, pode ser que alguma "autoridade" decida retirar a proposta. É uma hipótese, mas que deve ser considerada.
Desta forma, considerando os limites agora precisos do que deve ser protegido e do que é permitido em termos de exploração de petróleo e gás, a sugestão é de que legítimos interessados na preservação ambiental no Espírito Santo - como ONGs ambientalistas, as sérias, e instituições de pesquisa - devem reapresentar a proposta, ampliando os seus limites para cobrir todo o litoral capixaba e baiano, até o Parque dos Abrolhos. Há de verificar, apenas, a possibilidade legal da superposição da Resex à Zona de Amortecimento.
A criação da Resex garantirá a proteção da área que mais produz camarão do País, no norte capixaba. Na região, o camarão está sendo aniquilado pela pesca predatória, principalmente por barcos camaroneiros de grande porte, de armadores de outros estados.
Também se deve sugerir, após estudos competentes como os realizados no litoral norte, a criação de uma grande Resex no litoral sul, ali para proteger o maior pesqueiro de atum do País.
Estas duas unidades, além do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) de Santa Cruz e a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa das Algas, cujo processo de criação está em fase final, e do Parque Nacional Marinho das Ilhas do Sul Capixaba, também em fase de discussão, formarão um mosaico de unidades de conservação marinha no litoral capixaba.
Que, no seu conjunto, protegerão a região de maior biodiversidade marinha do Brasil. Biodiversidade resultante da ressurgência (encontro das águas quentes, do Nordeste, com as águas frias, do sul do continente) criando ambiente propício para a reprodução animal e vegetal, fenômeno que recebeu o nome de Giro de Vitória. Além das condições físicas do fundo do oceano no litoral capixaba, milenarmente abastecido por nutrientes carreados pelo Rio Doce.
Biodiversidade que influencia até boa parte do Atlântico Sul. Tal influência decorre de correntes marinhas, divididas pela Ilha de Trindade, esta no litoral de Vitória.
A formação deste mosaico de unidades de conservação marinha no litoral capixaba é, pois, uma medida necessária e urgente.
Mãos à obra, pois, os capixabas!
Contato:
ubervalter@seculodiario.com
|