Vida de Imigrante - Ídolos




Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


Os programas realístico da TV chegaram para ficar. Agradam ao público ávido por escarafunchar a vida alheia, seja quem for esse alheio, e agradam aos executivos, que gastam bem menos com um programa desses do que pagando grandes nomes para desfilarem em suas telas.

Essa semana, as finais do "Ídolo americano" conquistaram altíssimos índices de audiência, e a face dos dois vencedores sorri para nós em todos os jornais e revistas, sem falar na Internet. Se vão mesmo ser os ídolos da vez, só o tempo dirá, mas já tiveram seus quinze minutos de fama.

Como Platão não disse mas deve ter pensado, o homem é um eterno plagiador de si mesmo. E com todo o aparato e circunstância, esse programa não passa de uma cópia revista, melhorada e enriquecida, dos velhos programas de calouros que começaram no rádio, ganharam a TV, e agora conquistam estatus de novidade.

Ou roupagem nova. O programa arrebatou as audiências em todo o país, com toda a mídia fazendo um enorme estardalhaço em volta dos candidatos à fama e à fortuna. Vimos isso com o Gugu, o Chacrinha, o Ary Barroso, e tantos outros nomes que ganharam nossa preferência e conquistaram nossa simpatia.

Muitos outros nomes agora esquecidos também trataram de criar seus ídolos, e alguns conseguiram. Ângela Maria, por exemplo, surgiu como caloura no programa "Papel Carbono> do Ary, onde o candidato devia imitar um artista famoso. Quem ela imitava? Ninguém menos que Dalva de Oliveira.

Como esses programas começaram merece um estudo mais aprofundado, pois estão conosco desde priscas eras. Desde que inventaram o rádio e o microfone, tem sempre alguém querendo cantar, querendo aparecer, correndo atrás de fama e fortuna, ou tudo isso junto. Por que não? O sol nasceu para muitos.

Mas tal como vêm eles se vão. Um dia o público cansa e sai para outra, ou aparece alguém que faz algo diferente, ou remodela algo já muitas vezes feito. Não importa como, ou quando, mas vai acontecer. E seja o que for, estaremos prontos a aplaudir, prisioneiros da telinha, encantados com a grande novidade do momento, copiada e recopiada de algo de que já nos cansamos.