Vitória (ES), edição de 31 de maio de 2006
Grande Vitória: 14 mil novos
apartamentos nos próximos anos



Anderson Cacilhas
Foto: Ricardo Medeiros

Foto: Ricardo Medeiros

O mercado imobiliário da Grande Vitória mantém a trajetória de crescimento dos últimos anos e a Capital lidera o número de unidades em construção com 49% da oferta na Região Metropolitana, seguida de perto por Vila Velha, que concentra 45% das mais de 14 mil unidades em andamento. O destaque ficou por conta de Jardim Camburi, que teve valorização dos imóveis na ordem de 20% em um ano.

As constatações são resultado do 9º Censo Imobiliário, que é realizado semestralmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Espírito Santo (Sindicon-ES). Em toda a metrópole, 309 obras estão em andamento, o que totaliza 14.581 unidades (apartamentos) a serem entregues.

Vila Velha já havia ultrapassado o índice de 50% das obras em censos anteriores, mas caiu no ranking por enfrentar a concorrência do município da Serra, que tem experimentado crescimento dos empreendimentos na região de Laranjeiras. No município canela-verde os destaques continuam por conta da Praia da Costa, Itaparica e Itapoã. Itaparica deve experimentar uma intensificação do crescimento, já que fica no circuito da Rodovia do Sol, que é alvo de um projeto de reestruturação viária da prefeitura de Vila Velha, o que a interligará a Barra do Jucu.

Jardim Camburi, na Capital, é apontado como a grande novidade na valorização dos imóveis, já que se trata de um bairro de classe média que teve valorização de 20%, índice semelhante ao de bairros de classe alta como Praia do Canto e Mata da Praia, onde a valorização não é mais considerada uma novidade. Além disso, o bairro tem índices de comercialização altos. Das 2.231 unidades em construção no bairro, 73% já foram vendidas. Índice acima da média, já que em toda a metrópole 71% das construções já foram comercializadas.

O presidente do Sindicon-ES, Aristóteles Costa Neto, destacou os apartamentos de dois e três quartos como responsáveis pelo aquecimento do setor. "Eles têm apelo muito maior. Atendem à classe média, que é a classe que predomina na Grande Vitória", disse.

Para ele, essa tendência deve ter continuidade, pois esses imóveis são vendidos com mais rapidez. O crescimento de 9% nos empreendimentos em construção, registrado no semestre, garante, segundo ele, uma média de crescimento da ordem de 15% ao ano até 2011, quando o mercado deve se estabilizar, já que o estado vive no momento a influência de um novo ciclo de crescimento impulsionado pelo petróleo e expansão das chamadas grandes empresas.

A tendência é que a Grande Vitória se integre. Para isso há necessidade de criação de ambientes propícios para que o empreendedor se interesse por regiões hoje esquecidas como a maior parte de Cariacica e Viana.

O próximo censo será realizado em novembro e ampliará a área da pesquisa para o bairro de Campo Grande e entorno, em Cariacica. A região já conta com empreendimentos que ainda não são contabilizados no levantamento. Prova disso é o residencial que o Inocops lança em julho, com 192 apartamentos em São Geraldo, sub-bairro de Campo Grande.

Vitória é o município que tem a área de pesquisa mais ampla, seguido por Vila Velha e Serra. Com a ampliação do campo de pesquisa, os diagnósticos de crescimento na Grande Vitória tendem a se tornar cada vez mais detalhados.

Novo movimento

Aristóteles Costa Neto revelou que a intenção da prefeitura de levar o crescimento da Capital para a região de Bento Ferreira, Ilha de Santa Maria e Ilha de Monte Belo, acompanha o pensamento dos empreendedores do setor de construção. A intenção foi explicitada na proposta de revisão do Plano Diretor Urbano (PDU) enviada à Câmara Municipal pelo Executivo. Pela proposta, aqueles bairros passam a ser considerados Áreas de Ocupação Preferencial.

O presidente do Sindicon-ES confirmou que esses bairros já são alvo dos empresários. Áreas já estão sendo compradas para construções futuras e o movimento, apesar de ser ainda inicial, já elevou o preço dos imóveis na região. Em breve a intenção da prefeitura deve se materializar em construções na área, considerada de boa infra-estrutra de serviços e trânsito, além de bem localizada, pois fica entre o Centro e a zona norte da cidade.

O Sindicon concorda e considera necessário o freio em áreas já saturadas como Praia do Canto e Santa Helena e o redirecionamento do crescimento para regiões onde ainda há espaços maiores, boa infra-estrutura e possibilidades maiores de intervenções do poder público. Além da região de Bento Ferreira, Santo Antônio também foi apontado pelo sindicato como um dos bairros a serem incluídos no crescimento de Vitória.