A série de entraves que vem ocorrendo na Corregedoria da Assembléia começam a criar nos deputados e na opinião pública o sentimento de que os processos contra os sete deputados acusados de envolvimento em um esquema de desvio de verbas na Casa vão dar em nada. A expectativa é de que os parlamentares poderão disputar a eleição normalmente.
Enquanto aguardam as definições da Assembléia, os deputados acusados continuam fazendo campanha em busca de reeleição, como se nada estivesse acontecendo. O deputado Luiz Carlos Moreira, um dos representados, chegou a renunciar ao cargo de presidente da Comissão de Meio Ambiente da Casa para se dedicar ao seu mandato.
Os corregedores se reúnem na noite desta quarta-feira (31) para decidir se mantêm o arquivamento do processo contra o corregedor-geral, Geovani Silva (PSDB). Ele foi acusado pelo ex-presidente do PSL capixaba, Vanderli Pereira, de receber dinheiro pelo mesmo esquema dos sete deputados para uma escolinha de futebol na Serra.
A denúncia foi acatada pelo desembargador Pedro Valls Feu Rosa, que determinou a paralisação dos trabalhos da Corregedoria enquanto a situação de Geovani não fosse resolvida. O processo foi arquivado, mas um dos deputados acusados, Gilson Gomes, pediu a anulação da sessão em que foi decidido o arquivamento do processo, porque não houve quórum para deliberação.
Mesmo que os deputados mantenham o arquivamento, o que deve acontecer, ventila-se nos corredores, é que os deputados acusados já têm no bolso do colete outra representação contra Geovani. O objetivo das denúncias é protelar a conclusão do relatório sobre o afastamento. Temem que ele chegue ao plenário antes da eleição. Sabem que, diante do desgaste, dificilmente terão absolvição.
Exceto o deputado Marcos Gazzani (PTB), que ao contrário de seus companheiros acusados - Gilson Gomes, Zé Ramos e José Tasso, do PFL; Rudinho de Souza (PSDB); Luiz Carlos Moreira (PMDB) e Fátima Couzi (PTB) - pede que o relatório seja logo concluído. Dispensou até o depoimento próprio e o de suas testemunhas de defesa para acelerar o processo.
Nos bastidores, a desconfiança é de que os corregedores não querem colocar o relatório de Gazzani primeiro. Isto porque Gazzani é o único dos acusados que tem chances de ser inocentado. Disse que realmente recebeu um cheque da Assembléia em sua conta e que em seguida o repassou a uma instituição filantrópica. Está consciente da vitória no plenário. O comentário nos corredores é de que os corregedores temem uma derrota inicial.
Outro elemento que põe molho na complicada apuração dos fatos é a novela dos afastamentos de deputados do mandato. Desde que tomou posse, o deputado José Tasso, por exemplo, já foi afastado do mandato por três vezes, duas só este ano.
A deputada Fátima Couzi continua afastada de suas atividades parlamentares. E a demora em conseguir uma liminar na Justiça determinando seu retorno começa a chamar a atenção. O comentário nos bastidores é de que problemas políticos estariam impedindo a deputada de retornar à Assembléia.
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