Finalmente pegaram, com a boca na botija, algumas das megaempresas alienígenas que sugam o Espírito Santo. A Receita Federal constatou que a Aracruz Celulose e Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) conseguiram, respectivamente, R$ 211 milhões e R$ 582,5 milhões de incentivos fiscais da antiga Sudene, hoje Adene, como se estivessem localizadas no extremo norte do Estado.
É demais. O pior é que eles conseguem se inserir, para pegar dinheiro que não tem nenhuma condição, em situações como essa da Adene. As instalações industriais da CST, estão aqui em Tubarão. Sua sede foi para Belo Horizonte mas antes também não estava no Espírito Santo. A Aracruz Celulose, essa, então, sua sede nunca esteve no Espírito Santo. Hoje está, de fato, em São Paulo. Imaginem admitir que eles estivessem acima do Rio Doce?
Se não estão, pergunta-se, com que cara de pau elas pegam dinheiro destinado à regiões capixabas sofridas pela seca? Imaginemos o que esses R$ 793,5 milhões não proporcionariam na economia do Estado, se fossem realmente destinados aos 28 municípios da região da Adene? Quanto empregos teriam sido criados?
O que revolta é que, tratando-se de quem se trata, aqui no Estado não vai acontecer absolutamente nada com eles. Não precisa ser vidente para poder dizer que os primeiros a silenciar serão os políticos. Outro dia, um deputado estadual teve a suprema desfaçatez, no episódio do território indígena, em dizer que foram os índios que invadiram as terras da Aracruz.
Sob absoluta proteção da classe política, com total negligência das entidades empresariais, empresas como estas que fazem parte do chamado Grandes Projetos, vão continuar impunes buscando dinheiro subsidiado, recursos como este da Adene, para acrescentar aos já extraordinários lucros, que exibem como troféu todos os anos.
Como Século Diário não quer ser cúmplice desse silêncio, está denunciando mais um ato de desinteresse dessas empresas com o Estado, e espera, em breve, o ponto final desse noviciado tirânico sobre o Espírito Santo.
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