A cidade morreu




José Roberto Mignone


Um dos dias do feriadão tirei para dar uma volta na Internet, pesquisar novas ondas, etc, etc. E aconteceram várias coisas interessantes. Entre elas um texto de despedida da Radio Cidade, a precursora de tudo, feito por Carlos Mayrink, enviado a alguns colegas de rádio aqui de Vitória por Marco Antonio, saudando Paulo Martins um dos baluartes da Cidade. Já que ele foi enviado para nós, vamos republicá-lo na coluna, até mesmo porque o texto deve chegar a mais pessoas do meio e fora. Ei-lo na íntegra:

"Era uma rádio feliz..... Quem é da minha geração sabe bem do que estou falando. Sem medo de ser saudosista, só quem ouviu a revolução Cidade FM entre 1977 e 1981 sabe o que signifcava ouvir a Cidade. Era uma linguagem nova, moderna; uma programação musical eclética, capaz de tocar o Pop, o Rock, o melhor da MPB, aliada a muita criatividade, liberdade de expressão, e acima de tudo alegria. Sim, a Cidade era uma rádio acima de tudo...feliz. A Cidade - fazendo escola em FM - era uma rádio até "careta" para os padrões atuais, mas era formal, sem ser séria; descontraída sem ser debochada. Criou uma escola de rádio que influenciou todo o país. Trouxe a tona profissionais que possuíam as mais belas vozes do dial, mas que além disso, possuíam uma característica que faz muita falta hoje: uma boa base de conhecimentos gerais, de cultura.

Sempre me preocupei com a possibilidade de que os atuais e futuros estudantes de comunicação ficassem sem saber o que representou a Rádio Cidade para o rádio brasileiro. Na verdade não existem hoje registros sonoros - apenas dois livros, poucos arquivos e documentos. Essa notícia sobre seu fim parece confirmar minhas impressões a apenas 15 meses do ano em que a Cidade completaria 30 anos. Por minha experiência no rádio, já presenciei o fechamento de emissoras (eu mesmo, atuei em uma grande emissora que fechou e reabriu 3 dias depois, graças a insistência dos ouvintes (eu, como locutor, a coloquei novamente no ar), venda, mudanças de programação, mas no final, com o passar dos meses, as pessoas vão se esquecendo, esquecendo...e a vida continua .Desta vez, se confirmada esta noticia, a Cidade fecha sem a pressão dos ouvintes, mas espero sinceramente que, por sua importância histórica, ela jamais seja esquecida. Salve Paulinho Martins!!! Adeus Cidade, Cidade! CARLOS MAYRINK"

Ele tem razão. A Radio Cidade foi uma escola em Fm. Tem uma geração no mercado que aprendeu fazer radio com ela. Deveria ter um "demo" mostrando alguns trechos da programação daquela época, só para ensinar a esse que chegam agora completamente sem noção do que seja rádio. É falta de memória, também culpa do nosso egoísmo e também das faculdades, que não sabem ensinar. Como tudo que é bom não dura muito, neste carnaval que passou, a Cidade Fm se preparou para dizer adeus, Ronaldo, o fenômeno, já não é mais e a Caprichosos não ganhou. Infelizmente

PARABÓLICAS

Há muito sumida, Patrícia Valim envia uma mensagem daquelas de pensar que não merecemos tanto. Mas ela é especial, boa locutora e excelente apresentadora.

Tem hora que parece que está enchendo o saco, mas a cobertura do desfile das Escolas do Rio, mostrado exaustivamente pela Globo é mais para ser comercializado para a Europa.

Se alguém quiser se comunicar com Gastão Follador, nosso grande radialista na Europa, aqui está o e-mail: gastao@radionovaera.pt. Gastão já é cidadão português!!!

Dois grandes profissionais estão, no momento, fora do radio. Juninho Megahertz e Heckel Ferreira. O primeiro estava na Cidade Rock e o segundo na Vila Fm.

MENSAGEM FINAL

É preciso não relaxar nunca, mesmo tendo chegado tão longe. Paulo Coelho

e-mails:
jrmignone@hotmail.com