A candidatura de Cláudio Vereza ao governo do Estado é o samba atravessado na reeleição do governador Paulo Hartung. Típico. Primeiro, porque levaram muito tempo para se acreditar nela. Era considerada mero balão de ensaio e que não prosperaria sequer no próprio partido dele, o PT.
As relações de Lula com PH garantiriam a sua inoportunidade. E também as relações de Vereza com a força maior do PT, que é o prefeito de Vitória, João Carlos Coser.
O governador ainda por cima tratava os prefeitos do PT da Grande Vitória, que são os importantes e carros-chefe do partido, a pão-de-ló. Ignorava a estratégia que se montava para garantir a candidatura de Vereza, puxada pelo próprio Vereza, e também pela melhor cabeça política do partido no Estado, a deputada federal Iriny Lopes. Também não achava que eles fossem capazes de construir argumentos sólidos de garantia da votação de Lula no Espírito Santo.
As primeiras pesquisas revelaram uma posição privilegiada de Lula no Estado. Ele ganha sem o necessário apoio de terceiros. Para quem fez a leitura correta das pesquisas, Lula não precisa ser arrastado, como em princípio o próprio Palácio da Alvorada imaginava, rebocado no Estado pelo governador Paulo Hartung.
PH tem o seu capital político próprio, muito bom por sinal, mas o Lula também tem o seu, e necessita apenas de guardiões do seu capital político. E ninguém melhor do que um candidato com a força de um petista como Cláudio Vereza.
De verdade, a candidatura de Vereza é esse guardião que Lula precisa no Espírito Santo para assegurar sua votação. Não quer dizer com isto, que não caiba PH também no processo. Até cabe, mas vai ter que ceder em nível local. Ou seja, entregar a vice da sua chapa para o próprio Vereza, abrindo ampla perspectiva para o PT chegar ao governo em 2010, através do próprio Vereza.
Pelo visto, o jogo equilibrou no Estado entre Lula e PH. O ideal é estarem os dois juntos, mas como tem preço local, eles podem ir desgarrados, com um respeitando o espaço do outro.
O PT ficou sabido, para lidar com PH, tem que entrar no clube.
Fragmentos
1 - Por falar em PT, o partido deve formar na proporcional, para deputado federal e estadual, com os aliados de sempre: PSB e PCdoB. Mesmo com os dois, não fortalece a legenda para federal.
2 - Sozinho, o PT não faz deputado federal. Numa aliança com o PSB e PC do B, acrescenta pouco, pois a chapa de federal do PSB é toda de nomes novos e sem muita capacidade de eleger alguém. O seu puxador de voto é o candidato a senador, deputado federal Renato Casagrande.
3 - Numa coligação desse porte, o PT terá, para assegurar a eleição de um deputado federal, que lançar candidatos do porte de Perly Cipriano. Mas Perly está mais para não ser candidato. Prefere ir até o fim no seu trabalho na sub-secretaria dos Direitos Humanos. A única chance em assegurar cadeiras na Câmara dos Deputados, é o presidente do Fundo de Pensões da Caixa Econômica, Guilherme Lacerda, topar ser candidato.
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