Vitória (ES), edição de 02 de março de 2006

Greve de professores: Movimento
continua até a próxima terça



Luciano Coelho
Foto capa: Bernardo Coutinho

Sem acordo com a prefeitura, o Sindicato dos Professores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) decidiu pela continuidade da greve. A administração entrou na Justiça com pedido de ilegalidade do movimento. Caso não haja entrave jurídico, a greve continuará até a próxima assembléia da categoria, marcada para terça-feira (7), em frente à prefeitura.

A decisão judicial pode paralisar o movimento, mas será em caráter temporário. O sindicato não quer arcar com multas e prisões decorrentes do desrespeito a uma liminar. No entanto, os professores voltariam às salas e depois de dois dias ou uma semana deflagrariam novamente a greve, já que não haveria afronta à medida judicial.

Caberá ao juiz Cristóvão Pimenta decidir se o movimento é ou não ilegal. O diretor jurídico do Sindiupes, Agberto Oliveira, revelou que o sindicato entrou com uma antecipação de tutela para mostrar que não há ilegalidade na greve. Oliveira também rebateu com ironia esse pedido da PMV. Segundo ele, ilegal é o prefeito não ter nomeado os 10 representantes da sociedade organizada para o Conselho Municipal de Educação e não prestar as contas da administração com transparência.

Mais de mil integrantes do magistério municipal estiveram presentes na assembléia da manhã desta quinta-feira (2), em frente à PMV. Professores afiliados ao sindicato e até docentes sem filiação decidiram, em ampla maioria, pela continuidade da greve e protestaram contra a política do prefeito João Coser (PT).

O discurso da secretária municipal de educação, Marlene Cararo, foi marcado por vaias e deboches dos manifestantes. Em especial quando a secretária disse que os eleitores de Coser votaram certo. Muitos gritaram que o prefeito é um traidor.

Marlene fez a leitura do documento, mas nada de novo foi apresentado. A secretária discursou acerca da realização da convocação dos professores concursados e também do plano de carreiras, que deve melhorar a situação financeira e diminuir a carga horária de 30 para 25 horas semanais. O plano só deve vigorar a partir de setembro, mas a categoria quer ver melhorias salariais já.

A saúde serve como exemplo. Os médicos conseguiram 20% de gratificação e também serão contemplados com o acréscimo de 8%. Madalena Alcântara, diretora de Políticas Sindicais do Sindiupes, alegou que se a prefeitura acenasse com uma proposta de oito a 10%, iria ao encontro das reivindicações sindicais, uma vez que se chegaria a aproximadamente 20% de aumento. Oito do aumento linear e mais 4% do ano passado.

Mas a prefeitura não acenou com nenhuma gratificação. Além disso, o Sindiupes não quer abrir mão dos 115,42% de perdas, geradas desde as últimas três administrações.

O sindicato sabe que é impossível a prefeitura pagar toda percentagem reivindicada, mas gostaria de ver o Executivo acenando com alguma proposta. Como parcelar esse total de perdas. O que o Sindiupes não quer é ficar apenas com os 8% até setembro, data prevista para execução do plano de carreiras.

Ao final da assembléia desta quinta (2), os manifestantes fecharam a pista, sentido Centro, da avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, e o trânsito foi desviado por volta das 10h45, para rua Gilberto de Barros.

Leia mais:
  • Sindiupes acusa prefeito de Vitória João Coser de improbidade administrativa
    (reportagem publicada em 24/02/2006)