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Foto: Divulgação
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Qual doença seria usada como forma de engatilhar a ficção com a realidade? A ficção científica gosta de criar algumas dessas interrogações. "Quando eu tinha quinze anos e, numa tentativa de mostrar minha independência, relaxei com minha dieta, meus pais me levaram a uma enfermaria de pacientes sofrendo da doença de Dureya - Gode."
Este é um trecho do conto "The Evening and the morning and the night", de Octavia Butler, na obra "Bloodchild and other stories", editado pela New York: Seven Stories Press, em 1996. No último dia 25, um derrame matou a escritora norte-americana, que deixou sua marca na vida literária como uma produtora feminista incansável e atuante no mundo da ficção científica.
Desde o "Frankenstein" de Mary Shelley, publicado originalmente em 1818, a crítica feminista havia ficado meio adormecida. Na década de 70, já no século XX, o assunto foi retomado, pela geração de Ursula le Guin e Joanna Russ, não como um "escapismo" à realidade, expressão usada por autores de outras áreas. A ficção científica funciona como uma outra realidade, aproximando o leitor de um futuro que teria chances de ser construído.
No conto "The Evening and the morning and the night", por exemplo, Butler realça a condição do elemento marginalizado pela sociedade. Tema não muito distante da sua realidade: como mulher negra, enfrentou os percalços sociais do preconceito. Toda a sua obra retrata, portanto, um alienígena que não necessariamente surge de outro planeta, mas se coloca como exemplo dos problemas das minorias.
Uma das obras mais conhecidas e elogiadas de Butler é "Kindred" (1988), cuja heroína é uma mulher negra. Butler era filha de alfaiate e diarista e, não por acaso, as questões raciais são mescladas às hierarquias político-econômicas. Ursula le Guin, Joanna Russ.
Octavia Butler morreu aos 58 anos de idade. Não há livros da autora editados em português.
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