Centro das eleições de outubro, o governador Paulo Hartung, contudo, em decorrência do restabelecimento da verticalização no pleito, sofreu um encarceramento de sua candidatura ao governo. Vai ser obrigado a tirar de dentro do seu partido, o PMDB, o seu vice e o senador. Não vai poder, como estava cogitado, fazer o seu secretário de Planejamento, Guilherme Dias, seu vice-governador e muito menos Renato Casagrande o seu senador. Dias é do PSDB e Renato do PSB. Fora, portanto, dos limites permitidos para uma aliança com o PMDB.
O PSDB terá candidato à presidência da República e o PSB, de Renato, é parceiro histórico do PT e deve seguir com a candidatura do Lula. Por força da verticalização, PH se fechará ao seu PMDB. Vai ter que se contentar em repetir a dose das eleições passadas: Lelo Coimbra como vice. Agora, o Senado é que vai ser o problema. Quem será? Uma incógnita.
Incógnita porque a tendência dele é deixar a eleição para o Senado correr solta para ganhar vários apoios. Mas mesmo sendo essa a intenção dele, o PMDB, por força ainda da verticalização, terá que ter candidato ao Senado. Se fosse para fechar e disputar com o apoio dele, o nome seria o da ex-deputada e secretaria de Transportes, Rita Camata. Não sendo ela, que outro nome será?
Ele poderia também recorrer à relação pecaminosa que mantém com o PSDB e apoiar, por fora, o candidato deles ao Senado. Nesse caso, o PSDB lançaria o secretário da Fazenda, José Teófilo, ou o do Planejamento, Guilherme Dias. Mas dificilmente isso ocorrerá. A estratégia do governador é realmente de não prender-se a um só candidato ao Senado.
Mas, de qualquer maneira, não sendo Teófilo ou Dias, o PSDB, que não terá candidato ao governo (vai apoiar PH na informalidade), terá, no entanto, de ter um candidato ao Senado para não perder o seu tempo de TV. Sem a bênção de PH, a tendência é a candidatura recair no ex-senador Ricardo Santos.
Dito o que foi dito, PH terá realmente restringido o seu campo de ação. Não vai poder, por exemplo, engatar 2010 na sua sucessão. Vai ter que economizar combustível para rebocar um PMDB mais pesado que um comboio de minério da Vitória a Minas. Evidente que ele é uma locomotiva poderosa e moderna, mas que ela vai estar puxando vagões pesadíssimos, ah, isto vai! A conferir.
Fragmentos
1 - A verticalização acabou protegendo a candidatura de Élcio Ãlvares, do PFL, ao Senado. Ele, que já anda bem juntinho do governador, foi quem mais ganhou com ela. Quem perdeu foi o deputado federal e candidato ao Senado pelo PSB, Renato Casagrande.
2 - Até que surja uma luz no PSB, Renato vai ter que se contentar em ser parceiro do candidato do PT ao governo do Estado, que é o deputado estadual Cláudio Vereza. Em vez de se fortalecer, vai fortalecer o candidato do PT ao governo.
3 - Deve dar também gás ao PDT para formar uma chapa com o prefeito de Vila Velha, Max Filho, para o governo e Sérgio Vidigal para o Senado. Ou então Vidigal para o governo e Max pai para o Senado. O PDT vai se dar bem com a situação criada pela verticalização.
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