Vitória (ES), edição de 07 de março de 2006
 
Trabalhadores rurais fazem nesta
4ª marcha por reforma agrária

Ubervalter Coimbra

Uma marcha exigindo a realização da reforma agrária no País será realizada em Vitória nesta quarta-feira (8). Os manifestantes sairão do Tancredão às 13h30, e caminharão em direção à Praça Oito, no Centro. Daí seguem para o Palácio Anchieta, onde exigirão a arrecadação de terras devolutas pelo governo e sua entrega aos trabalhadores rurais para produção de alimentos.

Eliandra Rosa Fernandes, uma das coordenadoras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - Brasil (MST) no Espírito Santo, informou que entre 250 e 300 trabalhadores rurais ligados ao movimento de todo o Estado estão acampados no Tancredão desde esta segunda-feira (6). Também participarão da marcha trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaes).

O MST denuncia que a reforma agrária está parada no governo Lula. Nos governos passados tampouco foi prioridade. Desta forma, milhões de trabalhadores rurais no País não têm onde produzir ou recebem migalhas trabalhando nos latifúndios. A marcha e as atividades no Dia Internacional da Mulher, nesta quarta-feira (8), fazem parte do processo de denúncia da omissão do governo em relação ao campo e aos trabalhadores rurais.

Segundo Eliandra Rosa Fernandes, as pessoas que estão acampadas em Vitória, independente do sexo, fazem cursos sobre relações sociais de gênero, saúde e direitos da mulher, inclusive direitos previdenciários, entre outros temas. Mas o tema central nas discussões é a reforma agrária. Outras atividades ainda não definidas serão realizadas em Vitória até a próxima sexta-feira (10).

Segundo informou a assessoria da Fetaes, a maior concentração dos trabalhadores rurais no país será em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, durante a II Conferência Internacional da Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural. A conferência começou nesta terça-feira (7) e vai até sexta-feira (10).

Haverá uma manifestação das viúvas das vítimas da violência no campo. Do Espírito Santo, saiu um ônibus com 33 trabalhadores e trabalhadoras rurais, sendo três viúvas. A Campanha Internacional contra a Violência no Campo é uma ação conjunta da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Uita (União Internacional de Trabalhadores da Alimentação), das Federações dos Trabalhadores na Agricultura e dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de todo o País.

A Via Capesina, formada pelo MST e MPA, entre outras organizações, denunciam que o latifúndio é improdutivo. E que estas propriedades são também degradadas ambientalmente, e a destruição segue: grande parte das terras estão em processo de desertificação, tanto em pastos de baixíssima produtividade, como na agricultura convencional, também degradadora.

O Espírito Santo tem cerca de 80 mil famílias de agricultores. A maior parte destas famílias não tem terra para trabalhar e são forçadas a dividir o que produzem com os donos das terras onde trabalham.

É para estes trabalhadores que MST e o MPA exigem a doação das terras devolutas, que são de propriedade do Estado. O Espírito Santo tem cerca de 500 mil hectares de terras devolutas, onde poderiam ser assentadas cinco mil famílias de trabalhadores rurais. Grande parte das terras devolutas estão improdutivas, nas mãos dos latifundiários, que as ocuparam de forma ilegal.

Segundo a representação dos agricultores, as terras devolutas do Espírito Santo estão mapeadas pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) e pelo Incra. Mas, embora tenham requerido repetidas vezes informação a estes órgãos, nem o MPA nem o MST foram atendidos.

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    (reportagem publicada em 26/01/2006)

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