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Foto: Divulgação
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| Gay Talese, um dos ícones da vertente do novo jornalismo
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Em 1965, na revista Esquire, Gay Talese escrevia uma reportagem que se tornaria referência no gênero que ficou conhecido como jornalismo literário, novo jornalismo ou nova não-ficção. "Frank Sinatra está resfriado" foi publicada no Brasil sob o título "Entrevista sem sujeito", na revista Imprensa, em 1989.
O sujeito ausente ou desconhecido ao qual se refere a revista estaria associado ao formato do jornalismo literário, que mescla os dois, Jornalismo e Literatura ou vice-versa, numa simbiose que conquista o leitor. Diante de um personagem tão marcante e famoso, Talese se encontrou encurralado. Sua busca por Sinatra acabou se concretizando com observações, ou seja, sem necessariamente entrevistar o cantor.
No prefácio de "Fama e Anonimato", publicado pela Companhia das Letras em 2004 (2.ª edição), Talese explica, em 1992: "Foi mais proveitoso observá-lo, ouvir as suas conversas, estudar a reação das pessoas à sua volta do que me sentar e conversar com ele, caso tivesse me concedido a entrevista".
Mas explica também qual a proposta do "new journalism", gênero tão admirado por uns e repelido por outros: "O novo jornalismo permite, na verdade exige, uma abordagem mais imaginativa da reportagem, possibilitando ao autor inserir-se na narrativa se assim o desejar, como fazem muitos escritores, ou assumir o papel de um observador neutro, como outros preferem, inclusive eu próprio".
A teia do escritor
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| O jornalista Truman Capote recebe nova atenção por conta do filme baseado em sua vida
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Não menos famoso, o jornalista Truman Capote enveredou pelo jornalismo literário e ganhou os brios norte-americanos com o seu "A Sangue Frio", que realçou a crueza da violência naquele país. O gênero se comporta tal qual o olhar do repórter, que, na verdade, se transforma em escritor. Ou seria o contrário?
A partir de um elemento, nesse caso um crime hediondo que estaria à margem da imprensa da época, Truman construiu sua trama. A teia, porém, previamente construída com o próprio acontecimento. A fama do livro e a astúcia do jornalista podem ser observadas em "Capote", que parece ter reavivado a senda do jornalismo literário durante as expectativas pelo Oscar 2006.
Philp Seymour Hoffman, que só experimentava pontas e papéis coadjuvantes, pôde brilhar como protagonista e levar a estatueta para casa. Capote com suas peripécias, Capote com seu jeito tímido, mas escrachado em assumir a homossexualidade, Capote dono de artimanhas como repórter. "Bonequinha de Luxo", de 1958 e "Música Para Camaleões", de 1980, ambos coletâneas de contos e novelas, também fazem parte do currículo. Neste último, o autor acha pouco desafiar o jornalismo e explora elementos de ficção.
Saiba mais!
Veja outros livros que adotam o new journalism
"Chico Mendes: Crime e Castigo", de Zuenir Ventura
No começo de 1989, o jornalista Zuenir Ventura foi enviado ao Acre para uma série de reportagens sobre a morte do seringueiro Chico Mendes, considerado pelo The New York Times como "um símbolo de todo o planeta" e até reconhecido pela ONU, mas assassinado em dezembro de 1988. Os textos deram ao repórter o prêmio Esso de Jornalismo.
"Hiroshima", de John Hersey
O livro traz a reportagem clássica de John Hersey sobre a bomba atômica que devastou a cidade de Hiroshima. Trata-se de um retrato de seis sobreviventes da bomba atômica, escrito um ano depois da explosão. Quarenta anos mais tarde, o repórter reencontra seus entrevistados.
"A milésima segunda noite da avenida Paulista", de Joel Silveira
Reúne textos do repórter bem humorado que cobriu a Segunda Guerra a serviço de Assis Chateaubriand, o Chatô. São reportagens, crônicas e entrevistas, traçando um panorama do país na década de 40.
"O segredo de Joe Gould", de Joseph Mitchell
Mitchell foi colaborador da revista The New Yorker e considerado um dos maiores jornalistas americanos do século XX. A reportagem, escrita em 1964, conta a história de um homem que vivia como um mendigo, perambulando pelo Greenwich Village, bairro boêmio de Nova York, e planejava publicar um livro, que seria: "História oral do nosso tempo".
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