Fico aflito com a facilidade com que o setor sindical público faz greve. Que acaba, no fundo, mexendo com o outro setor sindical. O do setor produtivo. Pois foi esse setor produtivo que cruzou os braços numa hora importante para que o setor público desfrutasse da sua estabilidade no emprego.
Mas, quando a gente vê as greves do setor público, principalmente a dos professores, fazendo greve, a torto e a direito, eles estão prejudicando os filhos dos trabalhadores. Principalmente os deles, que dependem de escola pública. Porque os da elite, da classe média, estão na escola particular.
Quando o setor de produção se mobilizou para apoiar a estabilidade dele, pensou que eles nessa hora de fazer greve partilhassem sua decisão com o setor de produção. Mas isto não corre nunca. No setor de produção, quando há greve, tem perdas. É lógico que as façam parte da conquista. Já no setor público ninguém corta ponto. Aí é mole fazer greve.
Não quero, no entanto, produzir nenhuma separação do setor público do privado. Mas apenas dizer a ambos que eles precisam estar levando seus problemas de forma comum. É necessário que eles, por exemplo, discutam políticas públicas. Não estou aqui para defender o prefeito de Vitória, João Coser, mas como é que tendo um prefeito da origem do Coser, do campo sindical, as entidades de classe na prefeitura não abriram a discussão mais ampla e ficaram tão-somente na recuperação das perdas?
É complicado. Mas é necessário que eles se entendam. É a minha esperança e também de que essas entidades de funcionários, todas elas ligadas ao campo petista, reflitam corretamente o papel que precisam desempenhar e busquem colocar a CUT no meio. Ela é a entidade mãe e o papel dela é unificar as lutas.
Como sempre enxergo a reforma sindical como primordial ao movimento sindical, finalizo dizendo que eles precisam criar os fóruns necessários para discuti-la. Esta é a hora de pensar nela, agir em função dela e criar novos mecanismo de relação sindical.
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