Inimigos públicos em ação




Mais uma vez a população da Grande Vitória está pagando a conta de desentendimentos entre lideranças dos rodoviários. Um protesto descabido da categoria, na manhã desta quinta-feira (9), deixou sem ônibus milhares de usuários dos transportes coletivos.

Tudo porque está virando hábito tumultuar a vida dos cidadãos a qualquer pretexto. O desta manhã chegou às raias do absurdo.

Insatisfeitos com uma decisão judicial que sustou a realização de assembléia da categoria, os líderes decidiram fazer os ônibus circularem sem cobradores. Em resposta a essa decisão, os empresários decidiram recolher os ônibus às garagens.

Logo as lideranças vieram a público para se eximir de responsabilidade. Disseram que o recolhimento dos ônibus foi uma decisão unilateral dos empresários.

Mas não há como os rodoviários escaparem de parcela de responsabilidade. Pela simples razão de que decisão judicial não se contesta com atos de rebeldia, mas com recursos. Retirar os cobradores dos coletivos, para que os passageiros viajassem em pagar passagem, é atitude demagógica, um meio ilegal de buscar apoio popular.

Igualmente condenável, sem dúvida, foi a atitude dos empresários.

A verdade é que está faltando entendimento de bom nível entre as partes. E o resultado é que os dois lados se mostram, com clareza, como inimigos públicos, agindo contrariamente aos interesses da sociedade.

O que não se admite é a banalização de atos dessa natureza num Estado de Direito. Rodoviários e empresários do setor têm que se ater e obedecer às leis vigentes. Contrariá-las é demonstração inequívoca de intolerância e desrespeito.

E isto requer ação enérgica do poder público. As lideranças sindicais dos trabalhadores - as oficiais e as dissidentes - já deixaram bem claro que estão despreparadas para atuar dentro da legalidade. Buscam sempre o caminho fácil da desordem, do desafio, do confronto. Sempre em prejuízo dos cidadãos indefesos.

E não é por aí que se chega ao entendimento. Estão faltando pulso e firmeza para enfrentar as sistemáticas manifestações de rebeldia de trabalhadores e empresários do setor de transportes. A paciência do povo tem limites.