Esporte por Esporte - À cor da pele




Renato Paoliello




Fotos: Arquivo Pessoal
A TV flagrou o zagueiro do Juventude, Antônio Carlos (foto), ex-seleção brasileira, fazendo gestos grosseiros que podem, claramente, ser considerados racistas. Ele nega, mas as imagens não mentem. Por leitura labial, nota-se que o jogador saiu de campo chamando o volante Jeovânio de macaco, ao mesmo tempo em esfregava os dedos nos braços, em suposta referência à cor do atleta do Grêmio. Antônio Carlos cometeu um ato racista e pode pegar 240 dias de suspensão.

O MP já pediu a fita de vídeo do jogo para análise. A solicitação partiu do subprocurador geral da Justiça para Assuntos Institucionais, Mauro Renner, e as cenas devem ser encaminhadas para os promotores criminais de Caxias de Sul, que podem abrir o processo. A polêmica reabre uma ferida, que na verdade nunca foi cicatrizada, trazendo à tona um preconceito que mancha os campos de futebol.

O jogo sujo do racismo no futebol, que não é exclusivo do Brasil, é quase tão antigo quanto o esporte. O preconceito tem se manifestado no futebol mundial de maneira cada vez mais explícita, através de atos de torcedores ou de jogadores. Na Europa o racismo atingiu, possivelmente, o seu pico nos anos 70 e 80, quando foram atiradas cascas de banana no jogador do Chelsea Paul Elliot. Um fato que envergonhou o mundo.

Mas as agressões por parte da torcida ainda é muito comum. Em 2001, em Roma os torcedores da Lazio exibiam faixas, slogans e hinos visando atacar aos jogadores Cafu, Aldair, Antonio Carlos Zago e Jonathan Zebina, com os dizeres "equipe de negros, corja de judeus". A torcida vaiava e ofendia os jogadores quando pegavam na bola. Diante disso, elaborou-se uma campanha contra o racismo, cuja frase era "Faça um gol contra o racismo".

A campanha não alcançou o seu objetivo. No ano passado, Zoro, um negro nascido na Costa do Marfim, jogador do Messina, que disputa a primeira divisão do Campeonato Italiano, durante o segundo tempo do jogo contra o Inter e com dois gols de vantagem para o time de Milão, foi agredido pela torcida com um "coro" racista.

Como os insultos e a intolerância racista não cessavam, Zoro colocou a bola debaixo do braço e dirigiu-se para o banco de reservas, num ato de que estaria disposto a abandonar a partida, diante das manifestações racistas. A partida foi suspensa e outros jogadores, incluído o brasileiro Adriano da Inter de Milão, convenceram Zoro a voltar ao campo, enquanto os racistas silenciavam.

Ainda não esquecemos o dia em que o jogador argentino do Quilmes, Landro Desábato, que ofendeu o jogador do São Paulo Grafite, saiu do campo direto para a delegacia. Desabato foi acusado por crime de injúria agravado por racismo e passou duas noites na cadeia, antes de ser libertado por pagamento de fiança.

A prática esportiva e mesmo de torcida constitui momento de expansão das pulsões primárias reprimidas pelo meio social cotidiano. É no coletivo da torcida que o indivíduo encontra a oportunidade de extravasar seus sentimentos e instintos reprimidos pela sociedade. A cor da pele de um atleta não pode ser alvo de preconceitos. Não podemos nunca esquecer que o futebol é o reflexo da própria sociedade.

Bate boca

O veterano Franz Beckenbauer, presidente do comitê alemão organizador da Copa do Mundo, não aceitou calado as críticas vindas da Fifa sobre o sistema confuso de compra de ingressos para os jogos.

O todo poderoso da Fifa, Joseph Blatter, de olho grande nos euros, queria ter em mãos o controle das vendas. Como não conseguiu, criticou o sistema como uma loteria muito confusa.

"Essas acusações são irritantes", bateu Beckenbauer .

Suspensão

O valente Leão (foto) pode ser suspenso por seis meses. Ao término do jogo, o treinador da e quipe do Palestra Itália reclamou da marcação do pênalti que o goleiro Sérgio cometeu sobre Wendell, que garantiu a vitória ao Peixe.

Na súmula da partida, que já foi entregue à Federação Paulista de Futebol, o juiz Luiz Cansian relata o incidente da seguinte forma: "Informo que após o encerramento da partida o técnico Sr. Emerson Leão, da equipe da SE Palmeiras, se dirigiu ao meio do campo, onde se encontrava a equipe de arbitragem, reclamando da marcação da penalidade dizendo as seguintes palavras: 'você é um bom árbitro, mas pelo que você fez não vai a lugar algum, precisa melhorar'".

Quem precisa melhorar?

Subindo

A boa participação no Torneio de Acapulco colocou Marcos Daniel na liderança entre os brasileiros no ranking mundial de tênis. Na relação divulgada pela Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), Daniel aparece na 84ª posição, duas acima de Flávio Saretta.

O gaúcho, de 27 anos, subiu quatro posições em comparação ao ranking da semana passada. Já Saretta caiu quatro postos. Os outros brasileiros continuam em posições bem inferiores. Gustavo Kuerten, por exemplo, é apenas o 274º colocado (o oitavo entre os tenistas do país).

Novela
Valentino Rossi, pentacampeão mundial de MotoGP, decidirá se troca o motociclismo pela Fórmula 1 em cerca de três meses. O italiano tem portas abertas na escuderia Ferrari - onde realizou uma série de testes nos últimos dois anos.

Rossi conta com toda a simpatia da cúpula de Maranello. O piloto poderá ser o substituto de Michael Schumacher na escuderia. O alemão deve se aposentar no final da temporada 2006. Em termos de carisma, Valentino não deve nada ao germânico.

Promessa

Letícia Corbacho, de apenas sete anos e de família ligada ao esporte de alta velocidade, é uma grande promessa no automobilismo. Ela vem pisando fundo e mostrando a força feminina no kart.

O velho Corbacho ta que nem pinto no lixo. É pura felicidade.

Fairplay

O vencedor é sempre amigo da paz. (Karl von Clausewitz)

Trocatroca com a coluna: rmpaoliello@uol.com.br