O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acabou promulgando a emenda constitucional que acaba com a verticalização nas eleições de outubro. Estabeleceu-se, finalmente, a confusão, pois, dias atrás, o TSE havia mantido a vinculação entre o pleito nacional e o estadual.
Até que o impasse seja resolvido, os partidos vão ser obrigados a conduzir os entendimentos dentro das duas modalidades. Não tem outro jeito. Mas o tempo urge. Não dá para ficar esperando a decisão que virá de uma batalha jurídica, onde vão cruzar os interesses dos políticos com o do TSE.
Pois esse impasse vai para o STF (Supremo Tribunal Federal). Bem, mas regionalizando a situação, o impasse vem de encontro à tática do governador Paulo Hartung em esticar o máximo possível os prazos para alianças, obrigando a oposição, de certa forma, a desacelerar as composições. Notadamente agora, que o PMDB instala um processo contra candidatura própria do partido à presidência da República. Uma forma de atender às alianças dos seus governadores.
Em termos de Espírito Santo, onde o candidato do PMDB, certamente, será o governador Paulo Hartung, uma liberdade de alianças dessa natureza, a seu favor, pode até trazer problemas futuros para o PT. Especialmente se ele adotar a candidatura do Lula, apesar da consolidação da candidatura do deputado Cláudio Vereza ao governo do Estado. Mas não está certo também de que ela está livre de acidentes de percursos.
Tudo acaba na dependência da regra eleitoral. Não estão, portanto, os virtuais candidatos de oposição ao governo, que são Vereza, pelo PT, e Max Filho ou Sérgio Vidigal pelo PDT, livres de pegar uma carreta lotada de eucalipto pela frente.
Acidentes eleitorais à parte, o colunista prefere, no entanto, prosseguir acreditando em três candidaturas ao governo. Acreditando também na queda da verticalização. Partindo do princípio de que vai prevalecer o desejo da maioria dos políticos em poder fazer alianças à vontade. Moral de político é vitória.
Fragmentos
1 - Na eleição do Ministério Público, na qual será escolhido por eleição direta de seus integrantes, o próximo procurador da Justiça, o atual detentor do cargo, José Paulo Nogueira da Gama, deixou para se registrar no apagar das luzes para fechar um quadro definitivo. Quadro esse que garantisse sua entrada na lista tríplice. Dos quatro candidatos registrados, junto com ele, (Catarina Cecin Gazele, Heloisa Malta Carpi, Sant Clair Luiz Nascimento Junior e Fernando Zardini Antonio) é esperada à renúncia de dois.
2 - Caso ocorram essas renúncias, como já se fala à boca pequena nos corredores do palácio Edson Machado, Nogueira da Gama voltaria a concorrer com Fernando Zardini Antonio na preferência do governador, pois é ele quem escolhe o procurador numa lista tríplice.
3 - A verdade é que essa eleição no Ministério Público é acompanhada de perto pela classe política, tal o papel decisivo que ele passou desempenhar na vida política do Estado. O governador Paulo Hartung influiu na escolha passada de Nogueira da Gama, mas agora não haverá mais necessidade. Tanto Zardini, como Nogueira da Gama são área de influência dele. Vai ganhar outra vez.
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