Foto: Polícia Federal/PF
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| O delegado da PF capixaba, Eugênio Riccas, comandou a operação deflagrada em sete estados |
Empresários, políticos, funcionários públicos e advogados foram presos em sete estados nesta quinta-feira (9), na Operação Esfinge, da Polícia Federal. O esquema descoberto, de sonegação e descaminho de produtos importados, era chefiado no Espírito Santo pelo advogado Beline José Salles Ramos, segundo a PF. Somente em seis meses a quadrilha importou US$ 14 milhões em produtos. A surpresa entre os nomes associados às atividades de Beline (que fora preso por agentes federais no ano passado em outra operação) foi o do empresário e suplente do senador Magno Malta (PL) Francisco José Gonçalves Pereira, conhecido como Xyco Pneus.
O advogado foi levado de Vitória a Vila Velha por agentes federais e já se encontrava na Superintendência Regional da PF por volta de 7h30 desta quinta. Xyco Pneus foi preso em Brasília por dois agentes federais capixabas e desembarcou em Vitória às 13h30. A chegada dele, num vôo comercial, causou alvoroço no aeroporto da Capital. De acordo com a PF, pelo menos 11 pessoas (ao todo são 12 mandados) foram presas pelos agentes federais do Estado, até o final da manhã. O suplente do senador seria o operador dos contatos comerciais da empresa Nova Global, administrada por Beline Salles Ramos.
Os outros detidos no período da manhã no Espírito Santo foram:
- Ênio Pedro Loss (contador da empresa);
- Advogados Eduardo Xible Salles Ramos (filho do dono da Global), Domingos Sallis Araújo, Paulo Roberto Scalzer (detidos junto com Beline na famosa Operação Cevada, em 2005);
- Paulo Renato Santana Oaskes (gerente da empresa);
- Ângelo Xible Roldi (empresário);
- Lina Maria da Silva (secretária);
- Advogada Maria Helena Xible Salles Ramos (esposa de Beline);
- Mafalda Galinaberti Araújo (esposa de Domingos).
Até o fechamento desta edição a Polícia Federal não havia confirmado a prisão do vereador de Santa Leopoldina José Ronildo Silveira (PL). Ele está em seu primeiro mandato e, segundo informação da Câmara da cidade, é primo de Beline. Ele não foi localizado em Santa Leopoldina.
Descaminho de US$ 14 milhões
A operação contou com 101 policiais federais, que cumpriram 22 mandados de busca e apreensão e diversas prisões de caráter temporário. Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara da Justiça Federal do Espírito Santo.
As investigações revelaram subfaturamento de mercadorias, práticas reiteradas de descaminho, lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Em seis meses de atividades, o grupo importou cerca de US$ 14 milhões (aproximadmente R$ 30 milhões) por meio de operações fraudulentas. Diversos produtos foram importados, como CDs, roupas, borracha e pneus.
As investigações, iniciadas em março de 2005, foram motivadas por procedimento fiscal da Receita Federal, que apurou irregularidades nas importações realizadas pela organização composta por mais de 300 empresas de diferentes segmentos, tais como combustíveis, importação e exportação, mineração, agropecuária e construção civil.
As empresas eram beneficiadas pela Nova Global, com matriz no Mato Grosso do Sul, mas que operava de um escritório em Vitória. A sede era no estado do Centro-Oeste porque foi nesta região que a quadrilha capixaba conseguiu benefícios fiscais, por meio de funcionários públicos, para concessão de operações comerciais no mercado internacional.
A organização possuía ramificações no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia.
As empresas de quase toda as regiões do Brasil envolvidas no esquema buscaram a Nova Global devido a falta de lastro financeiro (que permite o comércio entre as empresas brasileiras com o mercado ) e ao impedimento judicial para atuação (devido a dívida delas com a União, por exemplo).
A geração de benefícios para efetuação das importações ilegais era concedido por meio fraudes de fiscais aduaneiros, junto com supervalorização do capital da empresa capixaba. Esta valorização da Nova Global adquiria fazendas no município de Casa Nova, norte da Bahia - algumas áreas eqüivalem ao tamanho da cidade de São Paulo. Mais de 100 escrituras foram forjadas.
Em um dos exemplos da Polícia Federal, uma fazenda arrendada pela quadrilha, no valor de R$ 20 mil, foi revendida a interessados por mais de R$ 1 milhão.
A Nova Global operou desde agosto de 2004. O rastreamento da Receita Federal, que revelou o descaminho dos US$ 14 milhões, foi feito em janeiro de 2005 - dois meses antes da investigação da PF que resultou na prisão dos principais envolvidos.
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Xyco Pneus no aeroporto
Em nota à imprensa o senador Magno Malta informou que ficou bastante surpreso com a prisão de seu suplente, o empresário Xyco Pneus. O acusado foi o último passageiro a desembarcar de uma aeronave da Varig (um boeing 737-300) na companhia de dois agentes.
Xyco Pneus estava trajado de uma camisa social clara, algemado e com uma pasta empresarial em mãos. O empresário não passou pelo saguão do aeroporto de Vitória. A Polícia Federal deslocou cinco agentes e um delegado em dos camburões até Vitória. Pneus embarcou na traseira do camburão de placas JKH 3511, e foi transferido direto da pista de pouso para Superintendência Regional, em São Torquato, Vila Velha.
Ao passar próximo ao estacionamento do aeroporto Xyco Pneus foi recepcionado por um grito de "ladrão" além de olhares curiosos - de desconhecidos e pessoas que se surpreenderam com a prisão.
"Estou decepcionada com ele. Nós o conhecemos há dois anos da igreja (Evangélica Batista de Vitória) onde ele é preletor (administrador de cultos). A igreja prega só o que é certo. Não se pode fumar nem beber, quem dirá roubar", comentou M.E., 58 anos, funcionária pública aposentada.
Ela e o filho R.V. (não quiseram se identificar) estavam no aeroporto da Capital em busca de uma requisição. Quando receberam a notícia de quem estava no vôo, ficara perplexos. "Não esperava uma coisa dessas, ele parecia ser uma pessoa de bem", disse o profissional autônomo, 31 anos, em companhia da mãe.
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