Vitória (ES), edição de 09 de março de 2006

TRT cancela assembléia de rodoviários
e o caos se instala em Vitória



Anderson Cacilhas
Foto capa: Ricardo Medeiros

Os rodoviários da Grande Vitória deflagraram um protesto na manhã desta quinta-feira (9) em frente à Rodoviária de Vitória. Os pneus de vários ônibus foram esvaziados e os cobradores foram retirados dos veículos, possibilitando que os usuários viajassem de graça nos coletivos. De lá, os manifestantes seguiram para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES) para protestar contra a proibição de sua assembléia.

A juíza Neila Monteiro da Vara do Trabalho de Linhares concedeu três liminares cancelando a assembléia do Sindicato dos Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviarios) que seria realizada na manhã desta quinta (9). As liminares foram pedidas por outros três sindicatos que disputam o controle da categoria na Justiça.

O presidente de honra do Sindirodoviarios, Carlos Alberto Mazzoni, disse que a categoria espera que a decisão seja revogada. "São outros sindicatos, da mesma quadrilha do Alemão, que não se preocupam com os direitos do trabalhador, e mesmo assim a Justiça dá liminar para eles", reclamou. Mazzoni ressaltou que a assembléia que seria realizada nesta quinta (9) discutiria a reivindicação salarial para 2006 e 2007, o que é de interesse da categoria.

A manifestação desta quinta-feira é mais um episódio da briga entre quatro sindicatos que querem representar a categoria. O ex-presidente do Sindirodoviários, Francisco Forrechi (Alemão), é adversário de Alberto Mazzoni, o que causou um racha dentro do sindicato, resultando na criação de mais três sindicatos no Estado.

Os novos sindicatos não conseguiram atrair os trabalhadores de forma satisfatória e a maioria da categoria ficou com o Sindirodoviarios. A luta então passou a ser travada na Justiça e o último ato ocorreu nesta quarta (8) e quinta-feira (9), quando uma liminar e mais duas, respectivamente, foram concedidas aos sindicatos rivais suspendendo a assembléia da categoria, resultando nas manifestações desta quinta (9).

Os rodoviários aguardam a decisão de uma negociação entre os advogados da entidade, o Ministério Público do Trabalho, a juíza Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain e o presidente do Tribunal, Cláudio Armando Couce de Menezes. O advogado do sindicato, Aides Bertoldo, disse esperar que a assembléia da categoria seja realizada ainda esta tarde.

A determinação do Sindirodoviarios, de acordo com Mazzoni, é que os ônibus circulem normalmente, mas sem cobradores, como sinal de protesto. Ele ressaltou que o sindicato é contra qualquer paralisação e que isso foi acordado com Secretaria Municipal de Transportes de Vitória (Setran) e Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV).

Ônibus parados

Apesar da determinação do Sindirodoviarios, vários pontos da Capital ficaram sem transporte no início da tarde. Alunos do campus II da Faesa, na Grande São Pedro, saíram da aula às 11 horas e até às 14h30 esperavam pelos ônibus, que segundo passageiros passavam para os pontos finais e não retornavam em direção ao Centro e nem à zona norte de Vitória em nenhum sentido da rodovia Serafim Derenzi. A região é majoritariamente servida por linhas do sistema municipal.

A Secretaria Municipal de Transportes, gestora do sistema, disse que está negociando com as empresas para que a situação seja normalizada. As empresas alegaram que os motoristas queriam levar os ônibus para o parque Tancredão, onde fariam uma concentração. Preocupados com o horário de pico que se inicia por volta das 17 horas, teriam recolhido os veículos para que a população fosse atendida na volta para casa.

A Setran acrescentou ainda que, caso a situação não se regularize até o final da tarde, o Ministério Público pode ser acionado, já que não foi respeitado o prazo de 72 horas para deflagrar o movimento e 30% da frota têm que ser mantida funcionando de acordo com a Lei.

Alberto Mazzoni disse que o recolhimento dos ônibus para a garagem não tem o aval do sindicato e que possivelmente as empresas estão fazendo isso para que os coletivos não circulem sem os cobradores.

Existem informações ainda de que ônibus estão sendo parados e recolhidos na altura do Terminal Dom Bosco, na avenida Beira-Mar, o que atinge o sistema Transcol.

A Ceturb-GV foi procurada para comentar a situação, mas até o fechamento desta edição a reportagem de Século Diário não havia conseguido contato com a companhia.