Vitória (ES), edição de fim de semana
 
De bico afiado e com fortes aliados
Tucanos querem voar mais alto este ano





Cristina Moura


"A viagem do descobrimento não
consiste em procurar novas paisagens,
e sim em ter novos olhos."
Marcel Proust

A probabilidade de o governador Paulo Hartung lançar-se candidato ao Senado é mínima, segundo a avaliação de Ricardo Santos, ex-senador, atual secretário-geral do PSDB estadual e secretário da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa para Assuntos Econômicos.

Diante de uma outra probabilidade, a de ele mesmo, Ricardo, ser candidato ao Senado, ficaria até difícil torcer por um outro nome. Ele quer, ao que parece, repetir o feito, à época do governo José Inácio. Mas há, também, outro caminho que pode ser tomado: a Câmara Federal.

Nesta entrevista, o leitor pode conferir como andam as articulações do PSDB, partido tão próximo do governador Paulo Hartung. Os tucanos apostam na reeleição do governador, na consolidação de nomes para federal e na ampliação da bancada estadual. Para o Senado, é provável que um nome seja concretizado e ganhe as ruas.

Século Diário: - Há um cenário sendo construído para as eleições 2006? Qual a sua avaliação sobre este cenário no Estado do Espírito Santo?

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
Ricardo Santos: - Quanto ao governador do Estado, Paulo Hartung, ele vem caminhando, a passos firmes, para a sua reeleição. Ele conseguiu organizar um governo eficiente, resolvendo umas questões, uns assuntos, que o Espírito Santo reclamava, e pedia certas ponderações, recuperando a capacidade financeira do Espírito Santo, criando um clima favorável para investimentos. Isso responde em boa medida pelos índices de popularidade que o governador vem desenvolvendo. As pesquisas de opinião, sobretudo as últimas, dão mais de 70% de aprovação.

Certamente, teremos uma candidatura de oposição, de alguém ligado ao PDT. Pode ser que o PT venha consolidar uma candidatura. Mas o que se poderia prever no dia de hoje, a despeito de alguns problemas que o governo vem enfrentando, sobretudo na área de segurança pública, tudo indica que o quadro é muito favorável para a reeleição. Em particular, o meu partido, no PSDB, há vários nomes ilustres que fazem parte do governo. O secretário da Fazenda, José Teófilo, o secretário de Economia e Planejamento, Guilherme Dias, o presidente da Cesan, Ruy Carneli, na Secretaria de Projetos Willam Galvão... A maioria está nessa área econômico-financeira e é responsável pelo bom desempenho do governo, sobretudo no que diz respeito ao ajuste fiscal das contas públicas. Bem, em linhas gerais, esse é o quadro que estou vendo.

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
- Em relação à verticalização, esse cenário tende a sofrer mudanças, não?

- Tudo indica que a verticalização deva continuar. Houve uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso. Dispõe o artigo 16 da Constituição Federal que qualquer derivação que for aprovada em benefício da lei só podem prevalecer para o ano próximo. A despeito da aprovação da emenda constitucional, houve uma manifestação no pleito eleitoral. A maioria das lideranças políticas, pelo menos as que eu conversei, prevê que o âmbito federal deverá manter esse entendimento. Isso, evidentemente, trouxe algumas mudanças no quadro eleitoral. O atual governo poderia ter um arco de alianças formal muito amplo, mas isso vai se definir por conta das candidaturas para o governo federal. Teremos uma candidatura do PT, que é a candidatura à reeleição do presidente Lula, uma candidatura do PSDB e uma do PMDB... Estas são as candidaturas postas. Esse quadro, como é natural pela verticalização, deverá estudar algumas possibilidades em nível regional. Como conseqüência, isso fará com que os partidos menores, ao partidos de tamanho médio e os pequenos, não deverão se coligar no âmbito federal, mas no sentido que haja uma maior articulação estadual, para que eles possam fazer bancadas importantes ou não venham a ser afetados pela cláusula de barreira.