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Foto: Divulgação
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Em 1849 aconteceu no Distrito de Queimado, hoje município da Serra, o maior movimento em favor da liberdade registrado no Estado. No dia 19 de março, vários escravos travaram uma sangrenta luta que terminou com centenas de mortos. A Serra celebra até a próxima segunda-feira (20) os 157 anos da Insurreição do Queimado.
Exposição, oficina de trançado, caminhada noturna, debate e celebração afro-ecumênica serão alguns dos eventos da comemoração. A programação é do Fórum Chico Prego e tem o apoio da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer da Prefeitura da Serra (Setur).
Nesta segunda-feira (13), foi aberta a Exposição Iconográfica de São José do Queimado, na Casa do Congo Mestre Antônio Rosa, na Serra-Sede. Com o tema "Magia e Resistência", a mostra reune uma coleção de fatos da época da Insurreição noticiados pelo extinto jornal Correio da Vitória e quadros do artista plástico serrano Walter Francisco de Assis.
A mostra vai até o dia 13 de abril e os visitantes terão a oportunidade de observar como a sociedade da época reagiu à revolta e quais foram as conseqüências sofridas pelos escravos. A exposição também terá bonecos em tamanho real dos Insurretos de Queimado - Chico Prego, Elisiário e João da Viúva.
Na quarta-feira (15), será realizado um debate sobre Queimado no Centro de Defesa dos Direitos Humanos, em Carapina, às 19h. Participarão a secretária de Estado da Cultura, Neuza Mendes, o vice-prefeito Valter Rodrigues de Paula, o antropólogo Osvaldo Martins, representantes do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), o vereador Roberto Carlos e membros do Fórum Chico Prego.
No sábado (18) será feita a caminhada noturna "Cultuando Antepassados", em direção às Ruínas do Queimado. Um grupo de participantes sairá da Praça João Miguel, na Serra-Sede, à meia-noite, e outro de Santa Leopoldina. No domingo (19), dia da Insurreição, será celebrada a Missa Afro-ecumênica, às 8h, nas ruínas da Igreja do Queimado pelos padres Dário e Márcio, de Guarapari, e o pai de santo Rogério de Iansã.
A programação termina na segunda-feira (20) com a sessão solene "Insurreição do Queimado" na Câmara Municipal, às 19h, e uma apresentação da Velha Guarda do Samba, de Vitória, no Bar Caverna, na Serra-Sede, às 20h. Na ocasião, o poeta Teodorico Boa Morte vai lançar uma edição especial de seu livro "Insurreição do Queimado".
A Insurreição
A Insurreição do Queimado aconteceu no município de Serra, em 1849. Vários escravos se rebelaram para cobrar uma suposta promessa feita pelo Frei Gregório José Maria de Bene. Na época, o missionário italiano desejou construir uma grande igreja na antiga Província do Espírito Santo, na Freguesia do Queimado, então pertencente à Vitória. Para isso, Gregório convenceu os escravos a trabalhar na obra com a promessa que todos seriam alforriados.
Como o prometido não foi cumprido, durante cinco dias, liderados por Elisiário e Chico Prego, os revoltosos percorreram as fazendas obrigando alguns donos de escravos a assinar cartas de alforria. O movimento foi contido pela polícia da província. Os rebelados foram presos e julgados, cinco deles sendo condenados à morte.
O líder da insurreição, Elisiário, escapou da cadeia, depois que a cela foi esquecida aberta. Os negros atribuíram o acontecimento a Nossa Senhora da Penha. Elisiário refugiou-se nas matas do Morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi recapturado. O fato ficou conhecido como o maior movimento em favor da liberdade registrado no Estado.
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